Uma prisão para suspeitos de terrorismo com vista para a Estátua da Liberdade?

NOVA YORK ¿ Enquanto oficiais do governo discutem onde colocar os prisioneiros que permanecem na Baía de Guantánamo, um homem sugere a construção de uma prisão de segurança máxima em Governors Island (ilha localizada em uma região de Nova York).

The New York Times |

Enquanto Bruce Trully levou os amigos de fora para conhecer a cidade, uma jornada que incluiu um passeio de barco à Ellis Island e à Estátua da Liberdade. Isso aconteceu há 10 ou 11 anos, quando a discussão sobre o plano do presidente de fechar a detenção de Guantánamo revelou a covardia de alguns políticos americanos.

O espírito que ganhou o oeste e conquistou as Grandes Planícies pareciam ter tirado férias sem licença. Transferir os suspeitos de terrorismo em Guantánamo para prisões de segurança máxima nos EUA? De jeito nenhum, disseram diversas figuras nacionais de poder.

Não iremos trazer a Al-Qaeda para o Estado de Montana. Isso foi dito pelo senador Max Baucus de Montana e também desaprovado pelo senador Ben Nelson de Nebraska. Coloquem os prisioneiros em outro lugar, qualquer lugar, mas eu não quero vê-los em solo americano, disse. A senadora Barbara Boxer da Califórnia também avisou que em seu Estado tem apenas uma prisão de segurança máxima e que, neste momento, está lotada.

Tully, ex-banqueiro que vive em Manhattan (e é alguém que conheço há alguns anos), foi atacado pela falta de coragem. Nós de Nova York somos melhores que isso, disse.

Enquanto olhava da Estátua da Liberdade a Upper Bay de Nova York, ele podia ver Governors Island, um pedaço de terra de 172 acres a 730 metros de distância do entorno do sul de Manhattan. Lá fica ela, literalmente sem utilidade, exceto pela ocasião do príncipe jogador de pólo, o jovem Harry, que estrelou lá durante o fim de semana. A cidade e o Estado gastaram anos de vaidade para descobrir como desenvolver a ilha.

Tully teve uma ideia. Sugeriu a construção de uma prisão de segurança máxima no local para os 240 prisioneiros em Guantánamo e fazer um mostruário de como o país trata aqueles que mais odeiam.

É uma noção intrigante, não que seja provável que se torne realidade na vida de qualquer um lendo isto. Muitos outros interesses ambiciosos visam a Governors Island, incluindo universidades e operadores de cassino. Essa é uma multidão difícil de vencer, mesmo para a Al-Qaeda.

Da mesma forma, a questão da prisão destaca o quanto Nova York tem sido mais corajosas do que outras partes do país quando se trata de ameaça terrorista. Ela não deve ser única a esse respeito, mas é notavelmente relutante quanto a recuar aos gritos de o monstro vai pegar você, como aqueles do senador Baucus.

Mais uma vez os nova-iorquinos ouvem que são um ponto de referência do mundo para a Al-Qaeda e seus colegas viajantes. Eles estiveram em um alerta laranja, aparentemente, eterno (lembre-se do esquema de cor do Departamento de Segurança da Nação para o medo?). Raramente alguém presta atenção a isso.

Nova York tem mais do que uma porção justa de terroristas em prisões locais e tribunais de julgamento, mas ninguém fica histérico. O pedido para que se sinta medo é feito em voz alta.

Um exemplo ocorreu na campanha presidencial de 2004, quando os republicanos fizeram uma convenção nacional em Nova York, com evocações sobre o 11 de setembro e imagens das torres em meio às chamas. Apesar disso, no dia da eleição, três Estados cuja maioria de seus residentes tiveram suas vidas alteradas pelos ataques de 2001 - Nova York, Connecticut e Nova Jersey ¿, votaram para o democrata John Kerry.

Não é que os nova-iorquinos sejam totalmente imunes ao terror. Recentemente, milhares de pessoas ficaram agitadas com um voo perto da Estátua da Liberdade que trouxe a Força Aérea 1 bem próxima do solo apenas por segurança. Logo após o 11 de setembro, a coroa da Estátua de Liberdade foi declarada fora dos limites e muitos prédios em Manhattan instalaram as mais feias barreiras de concreto que se pode imaginar na frente de suas entradas. Mas, com o tempo, a cidade reconheceu que as barreiras foram um erro e a maioria foi removida. E no 4 de julho, haverá acesso à coroa da estátua.

Sem dúvida, alguns ficarão preocupados com a proximidade de Governors Island do continente. É ainda mais próximo de Red Hook, no Brooklyn, do que de Manhattan. Mas gostaríamos de ver os prisioneiros tentar escapar, sem incomodar seus nados até Red Hook. Para retrabalhar a linha de Bogart de Casablanca, não advertiríamos a Al-Qaeda para não mexer com essa parte de Nova York. 

Em Governors Island, os suspeitos podem ser observados de perto. Além disso, Tully disse: eles deveriam ter janelas com vista para a Estátua da Liberdade. Então, todo dia, pelo resto de seu encarceramento, disse, eles poderão ver o símbolo da terra da liberdade enquanto residem na cidade que é realmente o lar dos corajosos. 


Por CLYDE HABERMAN


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