Uma árvore de Natal pode ser ecológica?

Alimentos cultivados nas redondezas e sem pesticidas ganham espaço nos mercados porque são frescos, saudáveis e apóiam fazendeiros locais. Mas quantos de nós dão o mesmo valor às árvores de Natal que levamos para casa? Será que você pode decorar seu pinheiro sem que resíduos de pesticidas entrem em seus pulmões ou na sua pele?

The New York Times |

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Claro, se a árvore for certificada como orgânica pelo Departamento de Agricultura. Ou se for uma árvore com Certificado de Cultivo Natural, que cumpre os mesmos requisitos básicos: foi plantada e desenvolvida sem pesticidas ou fertilizantes sintéticos, usando métodos sustentáveis como o adubamento e o controle de erosão.

O Certificado de Cultivo Natural, uma organização com 500 membros em 47 Estados, foi fundada em 2002 (mesmo ano em que o Departamento de Agricultura instituiu o programa de certificação orgânica) por pequenos fazendeiros em busca de uma alternativa que não exigisse o pagamento de uma taxa de licenciamento e um burocrático processo de registro. Grupos estaduais participantes como o Promessa dos Fazendeiros, patrocinado pela Associação de Cultivo Orgânico de Nova York, também pode garantir que uma árvore foi cultivada de forma sustentável.

Ou se você comprar uma árvore de um cultivador local, como Mike Ludgate, que coordena a Fazendas Ludgate, uma loja de produtos naturais na região de Ithaca, Nova York, você simplesmente pode perguntar onde estas árvores foram plantadas.

"Nós compramos e revendemos as árvores de nossos vizinhos, que não usam químicos", disse Ludgate, que também vende enfeites ecológicos das próprias árvores que cultiva há mais de 20 anos sem químicos.
Mas muitas árvores de Natal (que, afinal de contas, são vendidas por sua beleza) são tratadas com pesticidas, especialmente as que são cultivadas em grandes plantações de árvores no Óregon, Carolina do Norte, Michigan e Canadá. Quantos resíduos restam depois que as árvores são cortadas ainda não se sabe, como se há qualquer risco no contato com eles.

"Muitos dos pesticidas dissolvem com a chuva ou os raios UV", disse Thomas Arcury, professor e diretor de pesquisa do Departamento de Medicina Familiar e Comunitária da Universidade Wake Forest, em Winston-Salem, Carolina do Norte, que estuda os efeitos destes químicos em trabalhadores rurais. "Alguns resíduos provavelmente permanecem, assim como nos alimentos que comemos. Quanto (ou se isso é perigoso) ainda não sabemos".


Ludgate e as árevores ecologicamente corretas / NYT

As árvores de Natal são um grande negócio: mais de 31 milhões foram vendidas nos Estados Unidos no ano passado, por US$1.3 bilhões, de acordo com a Associação Nacional de Árvores de Natal.

O Óregon, principal Estado produtor do país, oferece pinheiros Noble e Douglas, enquanto a Carolina do Norte, segundo maior, se especializa em pinheiros Fraser. Michigan, Pensilvânia, Wisconsin, Washington, Nova York e Virgínia também são grandes produtores, que dependendo do solo cultivam pinheiros Scotch, Douglas, Noble, Fraser, Virgínia, Balsam, entre outros.

Em cada um destes Estados há pequenos fazendeiros que não usam químicos em suas árvores. Fazendas que oferecem a possibilidade do comprador cortar seu próprio pinheiro geralmente não usam pesticidas e mercados de rua costumam oferecer árvores cultivadas com poucos aditivos, ou nenhum.

Comprar uma árvore na cidade, em um mercado especializado ou loja de rede, geralmente significa comprar às cegas. Estas árvores sãos as mais propensas a vir de plantações onde são cultivadas em grandes monoculturas sujeitas a insetos e doenças.

Ao comprar uma árvore em uma loja de rede, segundo John Kepner, diretor do projeto Além das Pesticidas, um grupo sem fins lucrativos de Washington, você "não tem ideia de onde ela vem, então terá que se preocupar um pouco. Muitas das coisas que os fazendeiros usam já não podem ser usadas dentro de casa e não se pode lavar uma árvore como fazemos com um tomate".

Grandes cultivadores como Cline Church, de Fleetwood, Carolina do Norte, que produz cerca de 60 mil pinheiros Fraser por ano, dizem não haver pesticidas o suficiente nas árvores para que elas sejam um risco significativo à saúde. "Em relação aos resíduos nessas árvores, nada foi encontrado que prove isso, que eu saiba", ele disse.

Ele acrescenta: "Nós os usamos de acordo com o rótulo e instruções dos órgãos governamentais. O que mais podemos fazer?"

Por ANNE RAVER

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