Um democrata de Indiana oferece riscos e benefícios

WASHINGTON ¿ Na medida em que o debate no Senado sobre o uso da força no Iraque atingia seu clímax, em outubro de 2002, o senador John McCain se dirigiu ao senador Evan Bayh e perguntou o que o havia levado desempenhar um ¿visível, e tão importante¿ papel na busca por um consenso sobre a ação militar.

The New York Times |

Bayh, democrata cauteloso de Indiana, reconheceu que não foi uma decisão fácil. Há relutância no meu coração, como eu sei que há no coração dos outros senadores, em contemplar o uso da força, disse Bayh, concluindo, nós fomos deixados sem nenhuma alternativa crível para proteger a segurança e o bem-estar dos americanos.

Seis anos depois, Bayh é um dos candidatos que lideram a disputa pela indicação do companheiro de chapa do virtual candidato democrata, o senador Barack Obama, dizem os associados de Obama. Mas o apoio de Bayh à guerra pode complicar suas chances de ganhar a nomeação.


Evan Bayh é cotado para ser vice na chapa de Obama / Getty Images

Bayh, 52, se comporta bem diante de câmeras de TV, é um democrata moderado, pai de gêmeas entrando na adolescência, experiente político que em 2006 flertou com a disputa presidencial antes de apoiar a senadora Hillary Clinton. Filho de senador, Bayh foi um governador popular reeleito que poderia fazer de Indiana, tipicamente republicana durante disputas presidenciais, um Estado competitivo, além de ter apelo junto aos operários democratas que custam a aprovar Obama. 

O apoio de Bayh ao uso da força no Iraque contrasta com a visão contrária ao conflito tão reforçada por Obama desde o início. Depois de votar, no início de 2003, Bayh se juntou a McCain como co-presidente honorário do Comitê de Libertação do Iraque, que fez da mudança do regime no Iraque sua causa central

Ele não apenas estava errado, ele foi agressivamente errado, disse Tom Andrews, diretor nacional da coalizão Vitória Sem Guerra, se referindo a Bayh. Na minha opinião, ele pode contradizer, senão minar, a mensagem de mudança de Obama, virando a página da política externa e segurança nacional. 

Bayh não estava disponível para uma entrevista, mas seu porta-voz, Eric Kleiman, contrastou a evolução da sua opinião sobre a guerra com a posição de McCain, se referindo ao fato de que McCain declarou manter sua opinião inicial. O senador Bayh tem mostrado que precisamos admitir nossos erros e aprender com eles, disse Kleiman.

Eli Pariser, diretor de um grupo anti-guerra, o MoveOn.org , disse que Obama tem uma variedade de fatores para pesar na hora de tomar sua decisão e que não é hora de rejeitar Bayh por causa de suas opiniões iniciais sobre a guerra. Nós não vamos entrar na questão se tal pessoa é boa ou má, disse Pariser. Nós esperamos que a forte posição do senador Obama contrária à guerra seja levada em conta na hora da decisão. 

Os aliados políticos de Bayh dizem que ele agora considera seu voto a favor da guerra um erro, produto das garantias pessoais dadas por George J. Tenet, diretor da Agência Central de Inteligência (CIA), a Bayh, membro dos Comitês de Inteligência e Serviços Armados, de que o Iraque detinha armamento não convencional.

O passado de Bayh aponta os riscos e benefícios de Obama escolher um vice de um Estado onde os republicanos lideram, alguém cujos votos e credenciais podem compensar a observada fraqueza de Obama, mas possivelmente alienado dos democratas progressistas cruciais para o sucesso de Obama.

Mas admiradores, que estão promovendo Bayh como o número 2, dizem que ele pode completar Obama em áreas como experiência administrativa e conhecimento econômico, enquanto reforça a imagem de mudança de geração. E seu apoio anterior a Hillary Clinton pode ajudar a acalmar os apoiadores insatisfeitos da senadora.


Bayh apoiou Hillary Clinton durante as primárias democratas / Getty Images

Bayh e Obama fizeram um comício juntos em Indiana semana passada que pôde oferecer à campanha de Obama uma amostra da química pessoal e política entre os dois, que trabalharam juntos no Senado em uma iniciativa para promover a paternidade responsável ¿ assunto que ambos assinam. 

Evan tem muita experiência, disse Lee H. Hamilton, ex-congressista e respeitado democrata. Ele tem um olhar hollywoodiano e fala muito bem. Ele poderia ser muito leal.

Bayh, cujo pai, Birch, foi senador democrata liberal e candidato à presidência em 1976, teve um passado mais moderado que conservador nos cargos de governador de Indiana - entre 1988 e 1996 - e senador - desde 1999. Ele foi eleito pela primeira vez em 1986 aos 30, para o cargo de secretário do Estado de Indiana. 

Nos últimos anos, Bayh tem sido o voto democrata mais confiante em políticas sociais, e se opôs à indicação do presidente Bush para a Suprema Corte. Mas nesta primavera americana, ele frustrou os líderes democratas ao se posicionar contra novos gastos no orçamento federal. Mas essa atitude reflete seu conservadorismo fiscal; em Indiana, ele imprimiu sua marca ao cortar impostos e deixar US$ 1,6 bilhão excedente.

Uma avaliação conservadora de Bayh é de que ele é brando, um político não excitante que não seria capaz de energizar uma disputa nacional.  Seu discurso durante a Convenção Nacional Democrata em Chicago foi criticado. Em uma recente coluna, Dick Morris, ex-consultor do presidente Bill Clinton, descreveu Bayh como suave por ter falhado em partir para ao ataque naquele discurso, uma decisão que Bayh descreveu mais tarde em um livro, dizendo que sua impressão era que os eleitores estavam cansados de políticos negativos.

No Senado, Bayh é conhecido por não comparecer aos eventos escolares de suas filhas, e raramente discursa em plenário. Assessores dizem que ele considera que trabalhar em comitês é o melhor local para o real comprometimento com o Congresso. 

Apesar de seu forte apoio para autorizar o uso da força no Iraque, Bayh mostrou desilusão com a condução do conflito em dezembro de 2004, pedindo a renúncia do secretário de defesa Donald H. Rumsfeld. Ele votou contra a confirmação de Condoleezza Rice para a secretaria do Estado em 2005, citando-a como a arquiteta do conflito no Iraque. 

Pressionou pelo envio de mais veículos blindados ao Iraque, o que se mostrou um benefício para os militares e as companhias de Indiana que receberam contratos para produzir os equipamentos. E pressionou para que os veteranos da guerra do Iraque que sofreram danos traumáticos, causados por explosivos improvisados usados contra eles, recebessem tratamento e cuidado.

Não é incomum que políticos de Indiana sejam considerados para o cargo de vice-presidente, e cinco tinham a capacidade para tanto, sendo Dan Quayle o caso mais recente, durante a presidência do primeiro George Bush. Bayh foi cotado ao cargo de vice nas duas últimas indicações democratas para a presidência ¿ Al Gore e o senador John Kerry, e muitos democratas dizem que agora é a vez dele. 

As pessoas anti-guerra não podem definir o Partido Democrata, disse Al Form, fundador do centrista Conselho de Liderança Democrata, do qual Bayh foi presidente por quarto anos. Eu acredito que a vantagem de Evan é que ele é uma pessoa com posições firmes sobre segurança nacional, e essa é uma qualidade muito importante.

Por Carls Hulse

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