Um ano após eleição, Irã tenta impedir protestos

Governo reforça leis e presença militar em Teerã para o aniversário da polêmica reeleição de Mahmoud Ahmadinejad

The New York Times |

Na tentativa de impedir qualquer protesto no aniversário de uma controversa eleição, as autoridades do Irã enviaram pelo menos 2 milhões de agentes paramilitares à capital do país, Teerã, além de prender ativistas dissidentes em liberdade condicional e reforçar proibições às confraternizações públicas entre os sexos e roupas femininas não condizentes com regras islâmicas.

O posicionamento de paramilitares, relatado por agências de noticias iranianas nos últimos dias, e outras medidas relatadas por websites mantidos por dissidentes iranianos e em entrevistas por telefone com pessoas localizadas no país, acontecem pouco antes do aniversário da disputada reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, no dia 12 de junho. A oposição afirma que sua reeleição foi armada pelo estabelecimento religioso islâmico do Irã.

Reuters
Oposição protesta contra reeleição de Ahmadinejad (06/09)

Os dois principais líderes da oposição, Mir Hussein Mousavi e Mehdi Karroubi, que tem desafiado inúmeras advertências do governo, encorajaram seus seguidores a marchar no dia 12 de junho e pediram autorização para uma manifestação, segundo um website ligado a Mousavi, o www.kaleme.com. É altamente improvável que o pedido seja concedido.

A agência de notícias Fars citou comandantes sênior da Guarda Revolucionária dizendo ter aumentado o número de forças paramilitares Basij na capital, vindas de todo o país oficialmente para participar do 21º aniversário da morte do fundador da revolução iraniana, o Aiatolá Khomeini, na sexta-feira.

Mas o Basijis devem permanecer em Teerã até depois do dia 12 de junho. Outro comandante, Ali Fazli, foi citado dizendo que mais de 2 milhões de membros serão posicionados em Teerã.

Websites da oposição comunicaram que as autoridades judiciais do Irã deram início a uma nova onda de repressão nos últimos dias, convocando presos políticos de alta relevância que deixaram a prisão em liberdade condicional desde o feriado do Ano Novo persa em março para que sejam detidos fora de Teerã.

Alguns websites da oposição e testemunhas contactadas pelo telefone informaram que desde sábado esquadrões da polícia iniciaram um esforço para reforçar leis de castidade sobre os jovens, impedindo que casais não casados caminhem juntos e forçando as mulheres a usarem roupas que não violem o código de vestuário islâmico.

A medida parece querer manter os jovens, que marcaram presença nos protestos contra a eleição no ano passado, fora das ruas.

Além disso, uma nova corte foi criada para lidar com mulheres que não aderem ao código de vestimenta, informou a Fars.

O website da oposição Iran Green Voice relatou que os estudantes circularam uma petição na Universidade de Teerã no sábado para condenar as medidas. "Essas medidas não conduzem à castidade na sociedade", dizia a petição.

Por Nazila Farthi

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