Ucrânia diz que Rússia parou toda a exportação de gás para a Europa

PARIS ¿ Todo o suprimento de gás para a Europa via Ucrânia foi interrompido, nesta quarta-feira, por causa do agravamento da disputa de preços entre a Rússia e a Ucrânia. A União Européia exigiu uma solução imediata para a crise.

The New York Times |

O corte mostrou os primeiros sinais do golpe para a economia européia assim que a unidade da companhia automotiva japonesa Suzuki na Hungria disse que parou a produção devido às restrições do uso de gás industrial. A agência de notícias húngara MTI citou o porta-voz da Suzuki dizendo esperar pelo recomeço da produção na próxima segunda-feira.

A empresa ucraniana de gás Naftogaz acusou a Gazprom, empresa russa que retém o monopólio, de parar toda a transferência do produto às 7h44 da manhã desta quarta-feira. Mas, em Berlim, Aleksandr I. Medvedev, vice-chefe-executivo da Gazprom, disse a jornalistas que foi a Naftogaz, companhia ucraniana, que fechou um quarto oleoduto, parando toda a transferência para a Europa.

Infelizmente, a situação está continuando a deteriorar, disse Medvedev de acordo com a Reuters. Ontem à noite (06/01), a Ucrânia interrompeu completamente todos os oleodutos de exportação para a Europa, que passam pela Ucrânia.

Diplomacia

Jose Manuel Barroso, presidente da Comissão Européia, chamou o primeiro-ministro da Rússia Vladimir V. Putin e o primeiro-ministro ucraniano, Yulia Timoshenko, para encorajá-los a retomar a exportação de gás, disse uma porta-voz da comissão em Brussels. Ela disse que Barroso falou aos líderes que é inaceitável que a Europa seja refém da disputa entre os dois países. O presidente da Comissão também lembrou que a União Européia pretendia mandar observadores para monitorar a corrente de gás para a Europa, caso fosse necessário.

A interrupção deixou a Eslováquia, a República Tcheca, a Áustria, a Hungria e a Romênia sem o fornecimento de gás russo em ao rigoroso frio que atinge a maior parte do continente. Os países da União Européia têm acesso a algumas outras fontes de fás ¿ incluindo o gás russo de outros oleodutos, e o gás produzido na Grã-Bretanha, na Noruega e na Holanda ¿ mas a perda do oleoduto ucraniano coloca a União Européia sob pressão para buscar uma solução.

Mirek Topolanek, primeiro-ministro da República Tcheca, que atualmente tem a posse da presidência da União Européia, disse nesta quarta que se o suprimento de gás para a Europa não for retomado em 24 horas, protestos diplomáticos serão agravados para níveis políticos maiores.

Pedidos

Em declaração a jornalistas em Praga, Topolanek disse que o suprimento de gás da Ucrânia para a República Tcheca foi cortada para zero nesta quarta-feira. Ele acrescentou que era obviamente inaceitável que Estados membros da Europa devesse sofrer como consequência dos argumentos entre Moscou e Kiev. Mas acrescentou que havia algum espaço para oficiais russos e ucranianos das companhias de energia resolver a crise.

Além disso, ele disse que desde 2006 os tchecos estão pedindo para uma divisão clara entre o suprimento russo destinado à Europa e aqueles que devem ir para a Ucrânia. Gostaríamos de insistir em medidas rigorosas e claras da transferência de suprimento nas fronteiras da Rússia e da Ucrânia e na Eslováquia.

Embora a República Tcheca seja dependente do gás da Rússia, Topolanek disse que possui reservas e outros suprimentos, importados da Noruega.

Os estoques de gás da República Tcheca estavam melhores do que os da Hungria e ad Eslováquia, disse ele, o que significa que não veremos uma piora da situação nos próximos dias.

Acusações

O corte começou na terça-feira, causando deficiência para a França e para a Turquia. A Gazprom disse que a Ucrânia estava retirando o gás para seus próprios suprimentos destinados para a Europa e que a Rússia iria reduzir os carregamentos pela quantidade equivalente a retirada. A Rússia já parou todos os fornecimentos para o uso doméstico da Ucrânia, dizendo que seu vizinho do leste não estava pagando o suficiente pelo fornecimento.

A empresa russa está procurando aumentar o preço que a Ucrânia paga pelo gás, de US$ 179,50, quantia do ano passado, para US$ 450 por mil metros cúbicos. Ela também quer recolher o que diz serem multas por pagamentos atrasados por cargas adiantadas.

Em Vienna, na Áustria, a companhia de gás austríaca OMV disse, nesta quarta-feira, que não recebia mais nenhum gás russo, depois que seu recebimento caiu em 90% na terça-feira, 6.

Viktor A. Yuschenko, presidente ucraniano, convocou conversas imediatadas em Moscou para recomeçar a transferência de gás.

Funcionários da Gazprom em Moscou não responderam imediatamente aos pedidos de explicação. Nesta quarta-feira é feriado de Natal Ortodoxo.

Por AVID JOLLY e ANDREW E. KRAMER

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