Turquia se firma como novo poder econômico no Oriente

Renascimento da economia do país desafia argumento de que turcos não estão prontos para entrar para a União Europeia

The New York Times |

Durante décadas, a Turquia escutou que não estava pronta para entrar para a União Europeia, que era muito atrasada economicamente para se qualificar para a filiação no clube de 27 países.

Este argumento já não funciona.

Hoje, a Turquia é uma potência econômica em rápida ascensão, com um núcleo de empresas internacionalmente competitivas que estão transformando a nação jovem em um centro empreendedor, levando-a aos ricos mercados de exportação da Rússia e do Oriente Médio, enquanto atraem bilhões de dólares de investimento em troca.

Para muitos na envelhecida e endividada Europa, que vai ter sorte se conseguir um pouco mais de 1% de crescimento este ano, o renascimento econômico da Turquia - que na semana passada relatou uma expansão 11,4% no primeiro trimestre, perdendo apenas para a China - provoca uma pergunta completamente nova: quem precisa mais do outro - a Europa ou a Turquia?

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Consumidores caminham em centro comercial de Istambul, na Turquia

Trata-se de uma impressionante transformação para uma economia que há 10 anos tinha um déficit orçamental de 16% do produto interno bruto e inflação de 72%.

Essa transformação teve raiz na ascensão ao poder do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, que tem combinado conservadorismo social com políticas econômicas fiscalmente prudentes para fazer de seu Partido da Justiça e Desenvolvimento, ou AKP, o movimento político mais dominante na Turquia desde o primórdios da república.

Na verdade, essa evolução foi tão completa que a Turquia está agora mais perto de cumprir os critérios para a adoção do euro - caso chegue a entrar para a União Europeia - do que a maioria das economias fracas já presentes no bloco.

Isso faz com que a redução da inflação, agora em 8%, seja o objetivo principal do governo.

Em junho, as exportações turcas cresceram 13% em comparação com o ano anterior, com grande parte da demanda proveniente de países ricos que fazem fronteira com o país ou estão localizados perto dele, como Iraque, Irã e Rússia.

Ninguém aqui contesta que estas tendências dão a Erdogan a legitimidade necessária para lançar-se contra Israel e para fechar acordos de energia nuclear com o Irã, medidas que têm causado tensão nas suas relações com o seu principal aliado e apoiador de longa data, os Estados Unidos.

Mas alguns temem que a demonstração de força tenha ido longe demais e que o novo tom agressivo adotado em relação a Israel possa prejudicar o princípio definido pelo fundador da Turquia, Mustafa Kemal Ataturk: paz em casa, paz no mundo.

"A política externa da Turquia é boa quando traz orgulho próprio", disse Ferda Yildiz, presidente do Basari Holding, um conglomerado de eletrônicos que está em negociações com o governo sírio sobre a criação de uma fábrica na Síria. Mesmo assim, ele avisa que seria um erro se concentrar demais em uma expansão para o Oriente, caso ela aconteça às custas da antiga pré-disposição do país de buscar inovação e inspiração no Ocidente.

"São precisos séculos para se estabelecer relações e minutos para destruí-las", disse.

Por Landon Thomas Jr.

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