Turquia ressurge e fortalece influência no Iraque

Das cidades de rápido crescimento econômico do norte aos campos de petróleo no sul, força turca é cada vez mais sentida

The New York Times |

Uma Turquia mais influente do que em qualquer momento desde a glória otomana está projetando grande influência em um Iraque turbulento, das cidades de rápido crescimento do norte aos campos de petróleo perto de Basra, ao sul, em uma demonstração de poder que ilustra o seu peso cada vez maior ao redor de um mundo árabe desconfiado.

Sua ascensão no Iraque, em uma arena contestada pelos Estados Unidos e pelo Irã, pode se tornar seu maior sucesso até agora, já que o país emerge da sombra de sua aliança com o Ocidente para traçar uma política externa independente.

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Iraquiano aguarda em frente ao consulado em Erbil para obter visto para a Turquia
A influência da Turquia é maior no norte do Iraque e mais ampla, embora não mais profunda que a do Irã no resto do país.

Enquanto os Estados Unidos invadiram e ocuparam o Iraque, a Turquia agora exerce o que pode ser um legado mais duradouro – o chamado soft power, a afirmação de influência através de educação, cultura e negócios.

"Este é o truque. Nós somos muito bem-vindos aqui", disse Ali Riza Ozcoskun, que comanda o consulado da Turquia em Basra, um dos quatro postos diplomáticos que o país tem no Iraque.

Na capital iraquiana, onde a política não é algo para os fracos de coração, a Turquia promoveu uma coalizão secular que ajudou a construir, provocando a ira do primeiro-ministro iraquiano, Nouri Al-Maliki.

Porta para a Europa

Para a abundância de petróleo e de gás do Iraque, a Turquia se posiciona como a porta de entrada para a Europa, contribuindo simultaneamente para satisfazer suas próprias crescentes necessidades de energia.

Assim como o Partido da Justiça e do Desenvolvimento do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan reorientou a política na Turquia, ele faz o mesmo no Iraque, com repercussões para o resto da região.

Enquanto alguns oficiais turcos rejeitam a noção de um neo-otomanismo – um distanciamento da Europa em direção ao seu antigo império, que já incluiu partes de três continentes – o processo de globalização do país e de atenção para os mercados do Oriente Médio está colocando em xeque as suposições de que apenas o poder dos Estados Unidos é decisivo.

A Turquia se comprometeu com a integração econômica da região, vendo um futuro que, no mínimo, ecoe o seu passado. "Ninguém está tentando tomar o Iraque ou parte do Iraque", disse Aydin Selcen, que comanda o consulado de Erbil, inaugurado neste ano. "Mas nós iremos integrar com esse país. Estradas, ferrovias, aeroportos, petróleo e gasodutos – haverá um trânsito livre de pessoas e mercadorias entre os dois lados da fronteira".

O crescimento econômico que a Turquia ajudou a impulsionar repercutiu em todo o Iraque. O comércio entre os dois países aumentou para cerca de US$ 6 bilhões em 2010, quase o dobro do que era em 2008, segundo oficiais turcos. Eles projetam que, em dois ou três anos, o Iraque pode ser o maior mercado de exportação da Turquia.

"Este é apenas o começo", disse Rushdi Said, presidente tuco-iraquiano da Adel United, uma empresa envolvida em tudo: desde a mineração até projetos habitacionais no Iraque. "Todo o mundo já começou a brigar pelo Iraque. Eles estão lutando pelo dinheiro".

*Por Anthony Shadid

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