Turquia planeja novo canal para Istambul, cartão-postal do país

Projeto de premiê, que será levado como proposta para um terceiro mandato, prevê passagem maior que o Canal do Panamá

The New York Times |

No aquecimento para a campanha às próximas eleições legislativas, o partido governista da Turquia anunciou na última quarta-feira uma proposta para construir um canal paralelo ao Bósforo de Istambul, que seria maior do que os canais de Suez ou do Panamá.

Detalhes do projeto, que tem sido especulado nos últimos meses como o "projeto louco" do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, foram mantidos em segredo para, imediatamente, tornarem-se a peça central da proposta de seu partido para um terceiro mandato.

AP
Navio militar passa por Estreito de Bósforo, em Istambul, Turquia (foto de arquivo)
O pró-islâmico Partido Justiça e Desenvolvimento, conhecido como o AKP, prevê um canal de 45 a 50 quilômetros ligando o Mar Negro, no norte do país, ao Mar de Mármara, no sudoeste, que seria uma alternativa mais segura para os cargueiros do que o canal natural Bósforo, que atravessa o coração de Istambul, cidade com cerca de 15 milhões de habitantes.

O plano visa desviar o tráfego de embarcações do Bósforo, que às vezes permite a passagem de cerca de 149 cargueiros por dia transportando gás natural, petróleo bruto, químicos e outros produtos industriais.

Empregos

Erdogan sugeriu que o canal, que teria cerca de 153 metros de largura e cerca de 25 metros de profundidade, criaria empregos e protegeria o canal natural.

O Partido Republicano do Povo, ou CHP, da oposição, criticou o plano como banal e afirmou que ele beneficiaria apenas as empresas de construção vinculadas ao AKP.

O projeto "é apenas um esforço para enriquecer os seus apoiadores", disse Kemal Kilicdaroglu, presidente do CHP. Pesquisas sugerem, contudo, que partido de Erdogan deverá conseguir manter a sua maioria nas eleições de 12 de junho.

Erdogan disse que o planejamento do canal iria demorar cerca de dois anos e que a construção seria paga por fontes domésticas, bem como por investidores estrangeiros.

*Por Sebnem Arsu

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