Turistas pagam caro para ver destroços do Titanic

Cruzeiro de duas semanas que inclui o mergulho até o fundo do Atlântico onde repousa o navio desde 1912 custa US$ 60 mil

The New York Times |

Você desde, desce e desce por duas horas e meia, preso com outras duas pessoas em um submarino minúsculo que deve chegar até o fundo do Oceano Atlântico - e tudo isso por um vislumbre, através de uma janela espessa, dos restos devastados do outrora grandioso navio no qual grandes nomes jogaram, jantaram e, em alguns casos, morreram.

NYT
Foto sem data mostra os restos do Titanic naufragado

A viagem não é para os claustrofóbicos, tampouco para os 99% de Ocupe Wall Street: um cruzeiro de duas semanas que inclui o mergulho, com duração de oito a dez horas, custa US$ 60 mil (R$ 107,58 mil).

Mas para os fãs do Titanic, nenhum preço ou privação é grande demais - especialmente com o 100º aniversário do naufrágio chegando em 15 de abril. "Essa é a oportunidade de uma vida", disse Renata Rojas, uma banqueira em Nova York. "Eu sou obcecada com o Titanic desde que eu tinha dez anos."

Com o centenário em mente, pelo menos 80 turistas devem mergulhar até os destroços, de acordo com a empresa que administra os passeios, a Deep Ocean Expeditions.

E enquanto esse pode ser o turismo mais extremo de todos, há outros inúmeros. Alguns navios de cruzeiro navegam até o local exato no Atlântico onde mais de 1,5 mil passageiros do Titanic se afogaram. Algumas pessoas vão organizar festas com o tema Titanic, com guardanapos da White Star Line.

A Sociedade Histórica do Titanic irá realizar um jantar de gala em que as pessoas serão convidadas a se vestir como um oficial, um membro da tripulação ou um passageiro "para criar o ambiente de uma viagem festiva." Diversos livros sobre o centenário já estão disponíveis, assim como joias e outras recordações.

Já a visita de submarino até o navio pode ser na próxima temporada a sua última chance. Embora viagens de mergulho tenham esporadicamente levado turistas ao local, desde que ele foi descoberto em 1985, a Deep Ocean Expeditions diz ter planos para interromper os passeios ao navio naufragado permanentemente.

A demanda pelos passeios permanece alta, porque as expedições são pouco frequentes. A última aconteceu em 2005. E turistas fazem fila, apesar de um forte aumento nos preços: em 1998, a empresa cobrava US$ 32,5 mil, hoje, a mesma experiência é vendida por US$ 59,68 mil.

Rojas não conseguiu participar na expedição de 2005 por falta de espaço e agora está na frente da fila. "Vai ser a oportunidade de prestar minhas homenagens", disse. "Se pudesse, ficaria ali por dias."

Por William J. Broad

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