Tropas britânicas têm menos estresse, diz estudo

Soldados americanos que servem no Iraque e no Afeganistão sofrem mais de estresse pós-traumático que os da Grã-Bretanha

The New York Times |

AP
Sargento americano dispara contra militantes talebans na província de Kunar, no Afeganistão
Tropas britânicas que combateram no Iraque ou Afeganistão sofrem muito menos de estresse pós-traumático do que as americanas, de acordo com um rigoroso estudo psiquiátrico realizado pelas forças militares da Grã-Bretanha.

Enquanto as estimativas da ocorrência da doença mental entre soldados americanos que retornam aos Estados Unidos variam de 10% a 15%, o novo estudo mostra que o índice não passa de 4% entre soldados britânicos - ainda que eles e os americanos tenham combatido a mesma quantidade de horas nos últimos anos.

Quando pesquisadores britânicos relataram pela primeira vez os baixos índices de estresse pós-traumático, os americanos sofriam mais baixas no Iraque. Mas o novo estudo não encontrou um aumento nos problemas de saúde mental das tropas britânicas entre 2003 e 2009, apesar de seu papel mais ativo no combate no Afeganistão e do aumento nos destacamentos múltiplos.

No estudo, liderado por Dr. Simon Wessely do King's College de Londres, os pesquisadores analisaram as respostas a um questionário de saúde mental dado a membros do Exército, Marinha e Força Aérea entre 2007 e 2009. As pesquisas incluíam questões sobre a saúde mental comum como depressão e ansiedade, bem como questões sobre uso de álcool e o estresse pós-traumático.

Muitos participantes também haviam respondido à pesquisa de 2006.

O estudo constatou que os reservistas falavam sobre seus sintomas mais vezes do que os demais, incluindo flashbacks e situações de hiperalerta que podem ser desestabilizantes. Isso pode em parte explicar a discrepância entre os dois países: reservistas formam cerca de 30% das forças americanas mas apenas 10% das forças armadas britânicas, disse Wessely.

Pesquisadores nos Estados Unidos também indicaram que a maior parte das suas estimativas de estresse pós-traumático são provenientes de batalhões de combate que passaram por ação "em zonas de conflito".

"As estimativas serão sempre diferentes, dependendo das tropas analisadas e sua experiência", disse o coronel Charles W. Hoge, psiquiatra e cientista sênior do Instituto de Pesquisa Walter Reed. Wessely e Hoge também afirmaram que há grande diferença no posicionamento estratégico entre os dois países e isso pode influenciar os resultados.

Tropas britânicas são destacadas para ações de seis meses e não superiores a 12 meses a cada 36 meses. As forças americanas têm destacamentos que duram entre 12 e 15 meses, com um ano de intervalo.

Um relatório recente do Exército sobre a saúde mental concluiu que a maioria dos soldados precisa de cerca de dois anos sem combates para que seus sintomas relacionados às batalhas desapareçam.

Outra grande diferença entre os dois países é o sistema de saúde nacional. Na Grã-Bretanha, soldados que lutaram em campo têm assistência médica para o resto da vida; nos Estados Unidos, eles têm direito a cinco anos de cuidados gratuitos através do Departamento de Assuntos Veteranos, embora as lesões tenham cobertura vitalícia.

Por Benedict Carey

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