Tratamento experimental contra câncer de mama é questionado nos EUA

Depois que um cirurgião removeu um cisto canceroso do seio de Karen Medlock em novembro do ano passado, ele recomendou radiação, um procedimento rotineiro que busca evitar a recorrência do câncer.

The New York Times |

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Mas ele não receitou o tipo de radiação que muitas mulheres têm recebido há décadas.

Ao invés disso, ele indicou um centro em Oakland, Califórnia, especializado em uma nova espécie de tratamento na qual "sementes" radioativas são colocadas no lugar do tumor. O tratamento pode ser concluído em apenas cinco dias e não nas seis semanas normalmente necessárias para o tratamento convencional, que irradia todo o seio usando feixes externos.

Para Medlock, a escolha pareceu óbvia. O novo tratamento (realizado através de um sistema conhecido como MammoSite) foi realizado em cerca de 45,000 pacientes com câncer de mama neste país desde que a Administração de Remédios e Alimentos (ou FDA, para a sigla em inglês) autorizou seu uso em 2002.

Apenas quando Medlock, 49, pediu uma segunda opinião é que descobriu uma alarmante verdade: o MammoSite ainda é um tratamento experimental.

O sistema MammoSite está entre os milhares de aparelhos que a FDA autoriza chegarem aos mercados anualmente depois de análises superficiais e sem evidências claras de que ajudarão os pacientes.

Os médicos podem usar os produtos como quiserem, sem informar os pacientes sobre seu status experimental. Uma vez que os médicos recebem mais do Medicare como uma forma de compensá-los pelo tempo extra e gastos necessários para a adoção dos novos procedimentos, estes produtos experimentais se tornaram amplamente adotados.

Autoridades da FDA defendem a análise rápida de procedimentos que promovam a inovação. Porque a maioria dos novos produtos não passam de uma melhoria de sistemas já existentes, segundo eles, não há real necessidade de uma análise profunda.

Exigir análises longas de tais sistemas seria "um gasto muito inapropriado dos recursos", disse Dr. Daniel G. Schultz, diretor do Centro de Equipamentos Radiológicos para a Saúde do FDA'.

A agência permitiu que o MammoSite chegasse ao mercado com base num estudo envolvendo 25 mulheres que não responderam à questão fundamental sobre quão eficiente o tratamento foi em relação a seu câncer de mama. Seis anos depois, muitos especialistas dizem que ainda não se sabe ao certo se o tratamento funciona tão bem quanto a radiação tradicional. A FDA afirmou exigir o aviso de que o sistema não parece ser um substituto da radiação convencional.

Os críticos dizem que o processo da FDA para analisar a tecnologia, sob a qual os aparelhos médicos se tornaram uma indústria de US$75 bilhões ao ano neste país, é geralmente muito facilitada. Mais aparelhos, segundo eles, deveriam passar pelo mesmo processo de autorização necessário para a aprovação de remédios. Ainda que o processo não seja perfeito, um novo remédio é tipicamente estudado em centenas ou milhares de pacientes antes de ser aprovado pelo FDA como seguro e eficiente.

Por REED ABELSON

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