Tragédia na China revela a vulnerabilidade de escolas por todo o mundo

A enorme perda de vidas nas escolas destruídas por toda a província chinesa de Sichuan após o forte tremor que abalou o país na última segunda-feira poderia ter sido reduzida de maneira significante se novos projetos de estrutura em zonas de terremotos tivessem sido desenvolvidos nas construções, disseram alguns especialistas na última terça-feira.

The New York Times |

De acordo com especialistas e alguns grupos que defendem a segurança em escolas, a China é apenas um dos muitos países vulneráveis a tremores de terra que tem sido devagar em transformar as escolas ¿ centro de qualquer comunidade ¿ de armadilhas mortais a locais seguros para as crianças.

É esperado que centenas de milhares de estudantes tenham perdido suas vidas durante o terremoto.

Pesquisadores sobre o tema alertaram durante anos que milhares de estudantes em várias escolas, da Ásia à América, correm os mesmos riscos. Os programas existentes para reforçar as escolas ou exigir que construções mais seguras rejam realizadas são inconsistentes, lentos e financiados de maneira inadequada.

Apesar de terremotos poderem às vezes causar um maior número de mortos em construções públicas, colapsos em escolas são particularmente mais graves, informaram alguns oficiais e especialistas, uma vez que são os estudantes que freqüentemente levam um país da pobreza ao desenvolvimento próspero.

Em 2004, a Organização para Cooperação Econômica e para o Desenvolvimento, composta por 30 países, divulgou um estudo, chamado Mantendo a Segurança nas Escolas durante Terremotos, e concluiu que as instituições de ensino rotineiramente são destruídas durante tremores em várias partes do mundo por possuírem erros na construção, ou por não cumprirem algumas normas de segurança e estrutura.

A menos que uma atitude seja tomara imediatamente para resolver este problema, muitas perdas e propriedades e de vidas ainda serão perdidas, disse o relatório.

Os riscos são cada vez maiores, afirmaram os especialistas, na medida em que crescem as populações de regiões mais pobres, e o mundo, rico ou pobre, se concentra nos grandes centros urbanos, muitos dos quais correm riscos de abalos sísmicos.

Nos últimos anos, várias mortes foram constatadas em escolas após terremotos na Itália, Argélia, Marrocos e Turquia. É importante ressaltar o episódio ocorrido no Paquistão no dia 8 de outubro de 2005, quando ao menos 17 mil crianças morreram em desmoronamentos em mais de 7 mil escolas, durante abalo em uma região montanhosa próxima à fronteira com a Índia.

Riscos similares, e falhas na tentativa de corrigir esses danos, existem em países ricos e pobres, da América à Europa e Ásia.

Em 2006, o especialista em terremotos, Brian E. Tucker, que dirige um grupo privado, o GeoHazards, apresentou um estudo de escolas para a Organização de Cooperação Econômica, grupo de 10 países na Europa e Ásia. Os analistas concluíram que 180 milhões de pessoas, incluindo 40 milhões de crianças de escolas, correm riscos decorrentes de tremores de terra assim como o ocorrido no Paquistão.

A demora em resolver estas ameaças às vezes resulta menos de fatores financeiros e de planejamento que de inércia social, uma vez que vários problemas estão em jogo e pela ocorrência dos sismos ser imprevisível, disse Bem Wisner, ex-professor de geografia da Universidade da Califórnia e fundador da Coalizão para Segurança Mundial nas Escolas.

Muitas vezes, dinheiro e tecnologia são representam o problema, afirmou, e sim o acesso a informações básicas sobre riscos e maneiras simples de fortificar os edifícios.

No geral, o custo de projetar e construir uma escola, como por exemplo um colégio de três andares na Cidade do México, é apenas 5% maior, disse Wisner. Você não precisa necessariamente projetar uma escola específica contra os tremores, mas sim que seja resistente a desmoronamentos. Você deve ter amplos lugares para que equipes de resgate possam chegar aos escombros.

Houve alguns esforços de sucesso para reforçar escolas, como em Katmandu, no Nepal, e partes da Turquia, ele disse. O progresso é usualmente resultado de uma pressão persistente por parte de engenheiros particulares ou campanhas de segurança.

Apesar de não haver um número correto de escolas em zonas de risco, registros são friamente claros. Um relatório apresentado em uma conferência internacional sobre segurança escolar, que coincidentemente teve início na última quarta-feira em Islamabad, Paquistão, apontou que mais de 80% das escolas do país estão desprotegidas de choques como o ocorrido em outubro de 2005.

A inércia é resultado de uma série de fatores, incluindo a profunda pobreza em alguns lugares e a imobilidade política em outros. Em certas nações e culturas, a falta de ação é formada por um fatalismo, de que certa forma tira a responsabilidade dos governos, disse Thomas Parsons, um geofísico da Califórnia.

É tão decepcionante ver essas coisas acontecendo de novo e de novo ¿ crianças pequenas resgatadas em meio aos escombros, assinalou Parsons. Como sempre, a curto prazo estamos equilibrando um evento provável contra problemas da realidade, de agora. Mas a longo prazo, o provável será inevitável.

Nas regiões próximas à província de Sichuan, o terremoto pode ter aumento o nível de riscos, apontou Parsons, que lembrou ainda um estudo de 2007 que mapeou os pontos instáveis da região.

- ANDREW C. REVKIN

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