Tragédia familiar reflete conflito no Iraque

Por trabalhar com Exército americano, homem iraquiano é morto por filho insurgente

The New York Times |

Quando os americanos chegaram, Hamid Ahmad, um ex-oficial da força aérea emprisionado por Saddam Hussein, imaginou uma nova vida para sua família, livre do peso da tirania. Em sete anos difíceis, nada correu como planejado.

Ele falava bem inglês e acreditava nos Estados Unidos. Ele conseguiu um emprego, segundo sua família, com os militares americanos.

Mas, no final do mês passado, acabou morto pelas mãos de seu filho de 32 anos de idade, que buscou entre os insurgentes dinheiro e propósito no combate aos norte-americanos.

"Eu não disse nada a ele", disse o filho, Abdul, em uma entrevista que concedeu descalço e com um olho machucado na cadeia em Samarra, pouco tempo depois de confessar o assassinato. "Eu puxei o gatilho e disparei seis ou sete vezes".

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Abdul Haleem, que matou o pai Hamid Ahmad, é visto em prisão de Samarra

No momento em que o marco da redução das forças armadas americanas está a suscitar discussões profundas sobre o legado do conflito iraquiano, a história desta família narra uma versão abreviada de toda a guerra, cujos capítulos sintetizam porque os Estados Unidos tiveram tanta dificuldade em vencer.

Na família de Ahmad, colidiram os principais temas da guerra americana.

A história da família também revela, nesta fase final da guerra, uma insurgência muito enfraquecida, mas ainda viva e com raiva, agora concentrada em assassinar aqueles que trabalharam com os americanos ou foram membros do Despertar, na maioria ex-insurgentes que mudaram de lado para ajudar os americanos.

O drama aconteceu na casa de Ahmad, uma pequena construção de concreto em uma vila nos arredores desta antiga cidade.

Para Ahmad, que tinha 52 anos quando foi morto, a guerra não poderia ter acontecido de outra forma.

Dois de seus três filhos e um sobrinho, que viviam sob o mesmo teto com Ahmad, entraram para a insurgência. Em sua própria casa, Ahmad era constantemente intimado e tratado como um espião e um traidor.

Após sete anos de brigas em família, veio uma ordem da liderança insurgente para que Ahmad fosse morto. Tarde da noite, em junho, o filho de Ahmad entrou em seu quarto com uma AK-47. Ele descreveu o assassinato do pai como um ato heróico.

Também era algo que deveria ser lucrativo. Ele disse que os insurgentes ofereceram US$ 5.000 pela execução, dinheiro que seu primo - membro mais ativo da insurgência, que o ajudou a planejar o assassinato - pegou para si.

No quarto de Ahmad, marcas de bala são vistas na parede. Em uma prateleira está a única lembrança do trabalho que ele dizia ter feito: um documento plastificado no qual os Estados Unidos, em papel timbrado do Exército, atestam seu bom trabalho.

Por Tim Arango

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