Traficantes mexicanos dão continuidade aos negócios de dentro da prisão

CIDADE DO MÉXICO - As câmeras de vigilância registram tudo: guardas que observam com indiferença quando 53 detentos (muitos dos quais têm alguma relação com os cartéis de drogas mais notórios do México) saem de suas celas e seguem para veículos que aguardam do lado de fora.

The New York Times |

O vídeo mostra que os guardas sacam suas armas apenas muito depois dos ocupantes deixarem o local.

NYT
Detentos fogem da prisão pela porta da frente
Detentos fogem da prisão pela porta da frente
A ousada fuga que aconteceu em maio no Estado de Zacatecas (realizada em minutos sem que um único tiro fosse disparado) é um dos muitos exemplos de como o superlotado sistema prisional do México representa um elo fraco na guerra contra as drogas.

As prisões mexicanas são lugares onde os traficantes encontram uma nova base de operações para seu império criminoso, recrutando subalternos e subornando sua fuga pelo preço certo.

O sistema é tão falho que o governo mexicano está extraditando números recordes de traficantes para os Estados Unidos, onde para os detentos é muito mais difícil de intimidar testemunhas, coordenar negócios da cadeia ou fugir.

A última fuga da prisão aconteceu no último fim de semana, quando um traficante desapareceu de uma penitenciária de Sinaloa durante uma festa para detentos com a presença de uma banda de música country.

O governo americano decidiu investir US$ 4 milhões este ano para ajudar a corrigir o fracassado sistema de prisões do México como parte de seu programa de ajuda ao combate de narcóticos, disseram os oficiais.

"Não há motivo para deter estas pessoas se elas vão fugir por si mesmas", disse um oficial americano envolvido no treinamento.

Para traficantes de alto escalão, cheios de dinheiro, a vida dentro da cadeia geralmente representa uma continuação da existência livre e libertina que tinham lá fora. Os guardas geralmente se tornam seus funcionários.

"Nossas prisões são negócios mais do que qualquer outra coisa", disse Pedro Arellano Aguilar, perito em prisões. Ele visitou muitas delas no México e voltou com uma opinião assustadora do que acontece lá dentro. "Tudo está à venda e tudo pode ser comprado."

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