Tradicionais táxis de Londres enfrentam concorrência nas ruas

LONDRES ¿ Os símbolos de Londres estão definhando.

The New York Times |

Centenas das cabines telefônicas vermelhas estão sumindo e os ônibus de dois andares estão mudando.

E agora, aqueles táxis grandes e pretos típicos da Grã-Bretanha estão competindo com um veículo parecido com uma minivan.

A KPM-UK, companhia responsável por fornecer os táxis, associou-se com a montadora alemã Daimler para introduzir nas ruas de Londres uma nova versão dos veículos antigos. Os novos táxis são maiores e, de acordo com a fábrica, uma escolha que polui menos que o símbolo turístico que tem raízes em 1919.

Desde a semana passada, 20 dos novos carros começaram a transportar passageiros por Londres, e a KPM-UK disse que espera vender 350 veículos para os 25 mil taxistas de Londres até o fim do ano.  


Tradicionais taxis londrinos podem estar com os dias contados / Getty Images

Os táxis têm sido nossa fonte de vitalidade e achamos que é tempo de mudar, disse Peter Da Costa, presidente da Eco City Vehicles, dona da KPM-UK.

A nova versão é baseada na van Mercedes-Benz Vito da Daimler, veículo vendido na Grã-Bretanha desde 1996. Os carros são feitos na Espanha e depois enviados à Inglaterra para serem convertidos em táxis e para certificar que estão nos padrões governamentais, o que inclui medidas apropriadas, sistema de aquecimento, cobertura no chão e acessórios.

O novo carro acomoda seis passageiros, um a mais que os tradicionais, têm portas que deslizam para o melhor acesso e os motoristas podem economizar até U$18 de combustível por dia, segundo Da Costa. 

Resistência

Mas alguns motoristas de Londres estão céticos, e dizem que os tradicionais táxis pretos são partes essenciais de Londres e de suas vidas e que nunca deveriam ser substituídos.

Nós poderemos perder nossa identidade, disse Tony Reilly, que dirige seu tradicional táxi preto por Londres há sete anos. Os novos, são só uma van convertida e não tem a excelência de um carro contratado para uso pessoal. 

Os taxistas londrinos competem com frotas de companhias de carros particulares cujos motoristas não têm o mesmo conhecimento das vias da capital e dos marcos da cidade. Mais de um terço dos taxistas londrinos compram seu próprio carro, que pode custar até U$64 mil, enquanto outros alugam um por U$450 por semana. Os táxis de Londres estão entre os mais caros do mundo, 

Apesar da cor preta e do sinal de "táxi" no teto, os novos modelos não têm muito em comum com o exterior dos distintos táxis tradicionais, que muitos turistas vêem como parte de Londres tanto quando a Tower Bridge e o Big Ben, de acordo como Rania Wannous da Visit London, a agência de turismo da cidade.

No final de 2005, Londres baniu o Routemaster bus, que tinha uma diferente plataforma traseira que permitia aos passageiros subir e descer mesmo entre as paradas, basicamente porque não era considerado seguro. Desde 2002, centenas de cabines telefônicas vermelhas foram tiradas das ruas com o crescente uso dos telefones celulares. 

Antes de se associar com a Daimler, KPM-UK recebeu uma proposta da LTI Vehicles, que até agora já produziu mais de 100 mil táxis e vendeu modelos para Nova York, San Francisco e Chicago.

Matthew Cheyne, diretor de marketing internacional da LTI, reconhece que a marca Mercedes tem apelo junto a muitos taxistas londrinos, mas reconhece que os mais novos não são tão comprometidos. Cheyne desmente a declaração da KPM-UK de que o novo modelo é menos poluente, e diz que há uma diferença muito pequena na emissão de carbono. A frota londrina de táxi é responsável por 0,4% da emissão de dióxido de carbono em Londres, de acordo com o site da montadora. 

Por enquanto, a LTI está trabalhando no aperfeiçoamento de sua frota e planeja introduzir um carro elétrico na frota de táxi de Londres até o fim do próximo ano.  

Meio ambiente

O prefeito de Londres, Boris Johnson, promete tornar os táxis da cidade mais "amigos do meio ambiente" e segue os passos de cidades como Nova York, onde o prefeito Michael R. Bloomberg planeja introduzir 13 mil carros híbridos na frota de táxis da cidade. Johnson disse em junho que a cidade vai investir U$1,8 milhão em tecnologia para diminuir a emissão de carbono por parte desses veículos.

Para Bob Oddy, secretário geral da associação dos táxis licenciados de Londres, ainda é cedo para julgar se os novos carros da Mercedes terão sucesso. Os passageiros parecem felizes até agora e em geral estamos felizes que, ao menos, os taxistas possam escolher seu veículo, disse Oddy. Os táxis aqui continuam caros, portanto competição é sempre bem-vinda.

Por JULIA WERDIGIER

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