Trabalhadores americanos se preparam para posse de Obama

NOVA YORK - Kevin Reed acompanhou todos os passos de Barack Obama durante a campanha presidencial dos últimos dois anos: a batalha pela indicação, os comícios e debates, a contagem dos votos e o discurso da vitória em Chicago.

The New York Times |



Por isso na terça-feira, não há dúvida sobre onde Reed, gerente de projetos da Blue Cross Blue Shield em Newark, Nova Jersey, estará: na posse.

"Eu tirei o dia de folga", ele disse na semana passada, acrescentando que muitos colegas planejam fazer o mesmo.

"Eu acho que irão cancelar reuniões neste dia porque muitas pessoas simplesmente não estarão lá", disse Reed, que vive no bairro do Harlem.

Ainda que a posse seja um momento histórico e de comemoração para muitos, a data também se mostrou um desafio trabalhista para muitos empregadores, especialmente aqueles que empregam muitos funcionários negros. Algumas empresas optaram por fechar completamente. Outras montaram festas para que tudo seja acompanhado em telões.

Roy A. Hastick, presidente da Câmera de Comércio Caribe-Estados Unidos no Brooklyn, disse que recebeu inúmeros telefonemas de membros de seu grupo pedindo conselhos sobre o que devem fazer.

"Em geral, a maioria dos nossos membros acham que o dia é importante e estão dispostos a deixar passar para que os funcionários possam passar o dia com suas famílias", disse Hastick.


Milhares de trabalhadores vão a Washington acompanhar a posse de Obama / AP

Consultores de Recursos Humanos disseram esperar que o absentismo seja significativo, especialmente por causa do fim de semana prolongado que antecedeu os eventos da posse.

Ophelia Galindo, especialista em absentismo e produtividade da Buck Consultants em Orange, Califórnia, prevê que o dobro de pessoas faltará no trabalho nesta terça-feira em comparação a um dia comum depois de um feriado.

Galindo disse que muitos de seus clientes (algumas das maiores lojas do país, bem como de fábricas e hospitais) avisaram que esperam a ausência em massa. Mas mesmo se todos aparecerem, ela acrescentou, há dúvida sobre quanto trabalho realmente realizarão, enquanto fazem uso de transmissões online para acompanhar as comemorações.

"O dilema que alguns empregadores enfrentam é sobre a proibição de certos sites", disse Galindo. "Eles podem simplesmente tolerar a perda de produtividade porque, afinal de contas, aquele funcionário foi trabalhar". 

Tony Dinkins, proprietário de uma pequena companhia de planejamento de eventos em Yonkers, decidiu montar uma reunião para seus funcionários e suas famílias no escritório. Dinkins, que é negro, emprega 10 pessoas ("negros, brancos, europeus orientais, uma coalizão arco-íris", ele disse) e todas devem trabalhar na terça-feira, só para o caso de serem necessárias, ele afirmou.

AP
Homem vende bottons de Obama em frente ao Capitólio

"Nós colocaremos algumas tevês, pediremos comida, silenciaremos os telefones e vamos acompanhar tudo isso juntos", ele disse.

Antecipando um significativo aumento no uso da internet no momento do juramento de Obama nesta terça-feira, a cidade de Nova York instruiu todos os seus funcionários a evitar assistir o evento online em websites externos, usando a intranet da cidade, que irá transmitir o evento ao vivo. O objetivo, de acordo com um email distribuído na quinta-feira, é não sobrecarregar a rede.

Reed queria ir a Washington para o evento desta terça-feira, na esperança de ver a cerimônia de juramento, apesar de não ter um ingresso para o evento. Ele e dezenas de outros planejam pegar um ônibus que sairá da frente do restaurante Billie's Black, no Harlem, às 2h e voltará à noite.

"Eu não ligo se não tenho bilhete ou se vou estar cansado demais no dia seguinte", disse Reed. "O importante é que estarei lá..."

Por FERNANDA SANTOS

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