Tibetanos revelam evolução da espécie humana, diz pesquisa

Comparação entre genes de tibetanos e chineses da etnia han mostra diferenças de adaptação

The New York Times |

Os tibetanos vivem em altitudes de 13.000 pés e respiram um ar que tem 40% menos oxigênio do que aquele disponível ao nível do mar, mas sofrem menos do Mal da Montanha. O motivo, de acordo com uma equipe de biólogos da China, é a evolução humana em sua ação mais recente e rápida até agora.

Comparando os genomas de chineses tibetanos e e chineses de etnia han, o grupo étnico majoritário na China, os biólogos descobriram que pelo menos 30 genes passaram por uma mudança evolutiva nos tibetanos conforme eles se adaptavam à vida em grandes altitudes.

Getty Images
Tibetanos estão mais adaptados para viver "no topo do mundo", segundo pesquisa

Chineses tibetanos e han se separaram recentemente, cerca de 3 mil anos atrás, dizem os biólogos do grupo do Instituto Genômico de Pequim, liderado por Xin Yi e Wang Jianz. O relatório da pesquisa foi publicado na edição da última sexta-feira da revista Science. Se confirmado, este seria o exemplo mais recente conhecido de mudança evolutiva do ser humano.

Até agora, a mudança mais recente conhecida foi a propagação da tolerância à lactose - a capacidade de digerir leite na idade adulta - entre os europeus do norte a cerca de 7.500 anos atrás.

Quando pessoas da planície tentam viver em grandes altitudes, seu sangue engrossa pois o corpo tenta compensar os baixos níveis de oxigênio produzindo mais glóbulos vermelhos. Esta superprodução de glóbulos vermelhos leva à doença crônica conhecida como Mal da Montanha e também a uma fertilidade menor. Chineses da etnia han que vivem no Tibete têm um índice de mortalidade infantil três vezes maior do que os tibetanos.

A equipe de Pequim, analisou os 3% do genoma humano em que se encontram genes similares entre as etnias em 50 tibetanos de duas aldeias, a uma altitude de 14.000 pés, e em 40 chineses han de Pequim, que fica 160 metros acima do nível do mar.

Uma população tem muitos genes em versões alternativas. Os biólogos descobriram que cerca de 30 genes de uma versão rara entre os han haviam se tornado comuns entre os tibetanos. O exemplo mais notável é a versão de um gene encontrado em apenas 9% dos han, mas 87% dos tibetanos.

Essa enorme diferença indica que a versão normal entre os tibetanos está sendo fortemente favorecida pela seleção natural. Em outras palavras, as pessoas que possuem estes genes estão conseguindo gerar mais filhos do que as pessoas com outras versões dele.

O gene em questão é conhecido como fator induzível por hipóxia 2-alfa, ou HIF2a, e os tibetanos com a versão favorecida têm poucos glóbulos vermelhos e portanto menos hemoglobina em seu sangue.

*Por Nicholas Wade

    Leia tudo sobre: ciênciagenesevolução

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG