Textos de Santorum mostram visão consistentemente conservadora

Cartas e artigos do pré-candidato à presidência dos EUA indicam posições firmes sobre questões polêmicas

The New York Times |

Ele se opôs à insistência de Mitt Romney em dizer que as doutrinas do mormonismo não são conflitantes com aquelas do cristianismo tradicional. Ele disse que existem boas razões para se duvidar da teoria da evolução e argumentou que a criação inteligente deveria ser ensinada nas escolas. E quando os críticos o questionavam sobre qualquer assunto, como por exemplo seu apoio a uma supervisão federal mais rígida a lojas de animais, ele estava sempre disposto a dar uma resposta.

Durante a última década, Rick Santorum escreveu diversos artigos, cartas para jornais e chegou a ser convidado a escrever colunas em alguns dos maiores e mais influentes diários dos Estados Unidos. Ele sempre exibiu alguns comportamentos sólidos que o definiram como o candidato presidencial que é hoje: uma fé católica inabalável, uma suspeita do secularismo e uma forte convicção de que o país está trilhando um declínio cultural.

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O pré-candidato à presidência dos EUA Rick Santorum discursa em Peoria, Illinois (19/03)

Uma revisão de suas colunas e cartas dos últimos 10 anos revelou uma consistência em seu ponto de vista conservador político e seu princípio religioso. Ele às vezes pode ser um pouco agressivo, como quando zombou do mantra do presidente Barack Obama de esperança e mudança como sendo algo "pateticamente falso". Ele chega até mesmo a desconsiderar termos científicos sempre que assuntos de genética são mencionados. "Os cientistas que estão tentando desenvolver as pesquisas de células-tronco embrionárias estão na verdade querendo pesquisar células-tronco pluripotentes." E houve até mesmo um breve momento em que se aventurou na crítica de cinema. "Qualquer filme intitulado 'Ligeiramente Grávidos' certamente não irá ganhar nenhum prêmio, e este filme é a prova disso."

Ele escreveu colunas em jornais americanos como o USA Today, publicações locais em Washington como a The Hill e Roll Call, em sites religiosos, como o Catholic Online, e jornais diários metropolitanos da Pensilvânia, como o The Pittsburgh Post-Gazette e o The Philadelphia Inquirer, que chegou a lhe pagar um salário por suas colunas por mais de dois anos. A coluna possuía o atrevido título de "The Elephant in the Room" (O Elefante no Quarto, em tradução literal).

Seus textos eram muitas vezes repletos de referências bíblicas e religiosas. Quando escreveu a respeito do aquecimento global, ele disse: "os fariseus das mudanças climáticas querem nos fazer acreditar que a ciência do aquecimento global está firmada".

Santorum demonstrou uma certa hostilidade em relação ao mundo acadêmico em 2002, quando escreveu uma coluna para o site Catholic Online fazendo uma conexão entre o escândalo de pedofilia que havia ocorrido na Igreja Católica com o declínio cultural que ocorre nos Estados Unidos. Ele descreveu os seminários americanos da seguinte maneira: "Eles demonstram a mesma característica do liberalismo cultural que afeta nossas universidades seculares."

Ele há tempos vem expressando sua preocupação de que as faculdades e universidades dos Estados Unidos tenham sido prejudicadas por pensamentos liberais. Até mesmo as instituições católicas não ficaram imunes a isso, escreveu, em uma de suas colunas de 2008 no Inquirer. "As escolas católicas de ensino superior não apenas falharam em combater os fatores da decadência cultural que vem se espalhando por toda a América como também contribuíram para seu declínio", escreveu.

Em uma de suas colunas que não recebeu muita atenção desde que foi escrita, Santorum disse que as pessoas devem manter a mente aberta em relação a fé de Romney. Mas ele também disse que é perfeitamente aceitável criticar o ex-governador do Massachusetts devido a seu histórico de sua crença religiosa.

"Me disseram que isso seria a mesma coisa que rejeitar o presidente Barack Obama porque ele é negro", escreveu Santorum. "Porém, o presidente Obama nasceu negro, Romney é mórmon porque ele escolheu aceitar essa fé. Isso nos permite inferir sobre seu julgamento e caráter, seja ele bom ou ruim."

Ele sempre escreveu de maneira apaixonada a respeito de uma das questões pelas quais é mais conhecido: o aborto. Santorum defende com frequência uma maior proteção para os bebês que ainda não nasceram. Em um artigo que escreveu no Roll Call em 2004, ele mencionou o caso do assassinato de Laci Peterson, a mulher da Califórnia que foi assassinada por seu marido, alguns meses antes de dar à luz, para argumentar a favor da Lei Contra a Violência de Vítimas Ainda não Nascidas.

Quando achava que suas visões estavam sendo mal interpretadas, ele escrevia cartas de sua própria autoria para os jornais. Ele fazia isso frequentemente para o The Post-Gazette. Uma carta escrita em 2005 começou da seguinte maneira: "Recentemente, Mary Lee Snyder de Mount Lebanon escreveu uma carta me criticando pelo meu trabalho com a Lei da saúde e o bem-estar dos animais".

Quando escrevia para o The Inquirer, muitas vezes criticava John McCain, o candidato republicano à presidência na época, de maneira que deve soar familiar.

"Presenciamos um candidato republicano que muitas vezes se uniu às pessoas que procuram destruir e substituir aquilo que estamos lutamos para preservar e melhorar", ele escreveu no The Inquirer.

Ele poderia muito bem estar falando a respeito de Romney hoje em dia. "Muitos de nós queremos um líder que realmente acredite que esta disputa presidencial é uma luta para salvar a alma dos Estados Unidos".

Por Jeremy W. Peters

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