Testes genéticos mostram a miscigenação de judeus e muçulmanos espanhóis

As características genéticas das pessoas na Espanha e em Portugal dão evidências novas e explícitas da grande quantidade de conversões de judeus e muçulmanos espanhóis ao catolicismo nos séculos 14 e 15, depois que o exército cristão tirou o controle da Espanha das mãos do muçulmano, relata uma equipe de geneticistas.

The New York Times |

Cerca de 20% da população da Península Ibérica tem ancestrais judeus de origem espanhola ou norte-africana e 11% têm um DNA que mostra ancestralidade moura, descobriram os geneticistas. Os historiadores têm debatido quantos judeus se converteram e quantos escolheram o exílio. Uma parte subestimou rudemente o número de conversões, disse Jane S. Gerber, especialista na história dos sefaradi (judeus de origem espanhola ou norte-africana) da Univeridade de Nova York.

As duas linhas distintas de visão que foram encontradas na história da espanhola, disse Jonathan S. Ray, professor de Estudos judaicos na Universidade de Georgetown. Uma delas defende que a civilização espanhola é católica e as outras influências são estrangeiras; a outra aponta a Espanha como uma cultura enriquecida pelas três linhas culturais, católica, judaica e muçulmana.

O estudo, baseado na análise do cromossomo Y, foi conduzido por biólogos liderados por Mark A. Jobling da Universidade de Leicester na Inglaterra e Francesc Calafell da Universidade Pompeu Fabra em Barcelona.

Eles desenvolveram a marca do cromossomo Y deixada pelo homem sefaradi nos estudos das comunidades judaicas de origem espanhola ou norte-africanas em lugares para onde os judeus migraram após serem expulsos da Espanha, entre 1492 e 1496. Eles também caracterizaram o cromossomo Y do exército árabe e berber (povo de origem norte-africana), que invadiram a Espanha em 711 d. C., desde a época em que viviam em Marrocos e no Saara ocidental.

Após um período de sob o domínio da dinastia Árabe Omíada, a Espanha entrou em um período de intolerância religiosa, com a dinastia muçulmana berber forçando os cristãos e judeus a se converterem ao islã, e com os cristãos vitoriosos expulsando os judeus e muçulmanos ou forçando-os a se converterem. O novo estudo genético, divulgado na internet nesta quinta-feira, 4, no American Journal of Human Genetics, mostra que há um alto nível de conversões entre os judeus.

Cromossomo Y

Por causa da maioria cromossômica Y permanecer a mesma do pai para o filho, a proporção de ancestrais sefaradi e mouro detectada na população atual é provavelmente a mesma daquela após a expulsão de 1492. A alta proporção de pessoas com ancestralidade sefaradi já era esperada, disse Ray. Os judeus formou grande parte da população urbana antes de haver uma grande quantidade de conversões, disse.

Ray levantou a questão do que a evidência do DNA significa pessoalmente. Se não tenho noção do meu passado genético de quatro gerações atrás, como isso afeta meu entendimento de minha própria associação a alguma religião?

Ancestrais

O assunto é um dos confrontados por Calafell, autor do estudo.  Seu próprio cromossomo Y deve ser de ancestralidade sefaradi ¿ o teste não é definitivo para indivíduos ¿ e seu sobrenome é de uma cidade na Catalunha; judeus que se submetem à conversão frequentemente adotam sobrenomes de lugares.

Mas ele não considera que seu cromossomo Y seja uma grande ligação com a herança sefaradi. Sem levar em conta a reprodução, é provável que ele tivesse mais de um milhão de ancestrais vivendo em 1500 d. C. Meu cromossomo completo aponta apenas um deles, disse.

Primeiro os judeus se estabeleceram na Espanha durante os primeiros anos do Império Romano. Os judeus sefaradi ¿ aqueles que foram forçados a deixar a Espanha e a se estabelecerem em países do Mediterrâneo ¿ passaram a ser chamados de Sepharad, palavra que significa hebreu na Espanha. 

Por NICHOLAS WADE

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