Terrorista de NY se inspirou em clérigo dos EUA

Clérigo de origem iemita também tem relação com ataque de novembro contra base no Texas e com atentado frustrado do Natal

The New York Times |

© AP
Faisal Shahzad, em foto publicada no Orkut
Faisal Shahzad , imigrante paquistanês naturalizado americano que tentou detonar um carro-bomba na Times Square, em Nova York, em 1.º de maio, disse aos investigadores ter-se inspirado em Anwar al-Awlaki, um clérigo americano de origem iemita cujos sermãos militantes postados na internet estimularam vários ataques e tentativas de atentados recentes, informou uma autoridade americana.

O terrorista em potencial disse que se sentiu inspirado pela retórica violenta de al-Awlaki, disse o funcionário, que concordou em falar sobre a investigação apenas em condição de anonimato. "Ele o ouviu e fez isso", disse, referindo-se à tentativa de ataque de sábado.

Um graduado oficial militar disse que Shahzad afirmou aos interrogadores que se encontrou com membros do Taleban paquistanês no Waziristão do Norte em dezembro e janeiro. Mais tarde, recebeu  treinamento de como usar explosivos.

Não foi uma surpresa para as autoridades de contraterrorismo descobrir que o potencial terrorista foi influenciado por Awlaki, de 39 anos, que agora está escondido no Iêmen e representa talvez o mais importante defensor falante de inglês de uma violenta jihad (guerra santa) contra os EUA.

No início deste ano, o governo Obama tomou o passo sem precedentes de autorizar o assassinto de al-Awlaki, tornando-o o primeiro cidadão americano na lista de alvos da Agência de Inteligência Americana (CIA, na sigla em inglês).

Os sermões e os textos online em inglês de Al-Awlaki resultaram em dezenas de investigações nos EUA, Grã-Bretanha e Canadá, disseram especialistas em contraterrorismo. E em dois casos recentes nos EUA, al-Awlaki se comunicou diretamente com os indiciados por ações terroristas.

Nidal Malik Hasan, o psiquiatra do Exército acusado de deixar 13 mortos em Fort Hood, Texas, em novembro, trocou cerca de 18 e-mails com al-Awlaki no ano anterior ao ataque, perguntando, entre outras coisas, se seria permitido sob o Islã matar soldados americanos se preparando para lutar no Afeganistão. Depois dos disparos, al-Awlaki chamou Hasan de "herói” em seu website, que foi tirado do ar pela companhia onde ficava hospedado logo depois da mensagem.

Além disso, acredita-se que Umar Farouk Abdulmutallab, o nigeriano acusado de tentar explodir um voo transatlântico no dia de Natal, tenha se encontrado com al-Awlaki durante seu treinamento com a Al-Qaeda na Península Arábica. Ainda não está claro se Shahzad alguma vez se comunicou diretamente com al-Awlaki.

Um vídeo transmitido pela rede Al-Jazira em 26 de abril mostrou al-Awlaki falando em árabe e acusando os EUA de participar com forças iemitas em dois ataques aéreos em dezembro, um dos quais teve como alvo direto um casa onde se acreditava que al-Awlaki estava com líderes da Al-Qaeda. O vídeo tinha o logo do braço da Al-Qaeda na Península Arábica.

Al-Awlaki foi questionado pelo FBI no fim de 2001 sobre os contatos com três dos sequestradores do 11 de Setembro que compareceram a suas mesquitas em San Diego e Virgínia. Ele negou quaiquer laços radicais e repudiou os ataques de 11/9 em declarações públicas.

Ele ficou preso no Iêmen em 2006 e 2007 e, depois de sua libertação, tornou-se mais entusiasta de atos de violência. No ano passado, publicou um texto intitulado “44 Formas de Dar Apoio à Jihad", que circulou amplamente pela internet.

O site de al-Awlaki tornou-se o favorito de muçulmanos que falam inglês que têm curiosidade sobre a jihad, e centenas de pessoas lhe enviaram mensagens. Não se sabe se Shahzad está entre essas pessoas, e não há evidências de que Shahzad visitou o clérigo no Iêmen, onde se acredita que esteja escondido em uma região desértica e montanhosa.

*Por SCOTT SHANE e MARK MAZZETTI

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