Territórios conquistados por Bush serão palco de disputa final

Os senadores John McCain e Barack Obama se direcionam à última semana de sua campanha presidencial planejando passar quase todo seu tempo em Estados conquistados pelo presidente Bush na última eleição, um testemunho da situação cada vez mais difícil de McCain e seu partido com a aproximação do dia 4 de novembro.

The New York Times |

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O senador John McCain fez campanha na Universidade de Northern Iowa em Cedar Falls no domingo. Alguns republicanos questionaram a sabedoria de seu comitê em gastar tempo no Estado.

Com o otimismo presente nos círculos democratas, Obama fará nesta segunda-feira um discurso para resumir sua campanha em Canton, Ohio, reprisando os temas que ele apresentou pela primeira vez em fevereiro de 2007, quando começou sua disputa pela presidência.

De agora em diante, segundo os consultores de Obama, os ataques a McCain terão a companhia de temas mais amplos e menos partidários, como a necessidade de unificar o país depois de uma eleição difícil.

McCain optou pela Pensilvânia como um dos Estados conquistados pelos democratas em 2004 onde tem uma certa chance de ganhar, uma opinião não compartilhada pelos consultores de Obama.

Mas McCain e sua vice, a governadora Sarah Palin do Alasca, planejam passar a maior parte de seu tempo na Flórida, Ohio, Virgínia, Carolina do Norte, Missouri e Indiana, Estados que os republicanos achavam ter do seu lado desde o começo da disputa.

McCain manterá a mensagem que passou a adotar na semana passada, apresentando Obama como defensor de um governo ineficiente e do aumento dos impostos. Seus consultores dizem que irão limitar o número de comícios onde ele e Palin aparecem juntos, para cobrir mais territórios nos últimos dias de campanha.

"Como chegamos a este ponto?"

Ainda que alguns republicanos digam que esperam que McCain consiga vencer, há sinais de crescente preocupação de que o candidato e o partido se encaminham para uma grande derrota que pode enfraquecê-los por anos.

"Qualquer republicano sério tem que se questionar, 'Como chegamos a este ponto?' ", disse Newt Gingrich, ex-orador republicano da Camara.
"Não se trata de onde deveríamos estar, ou tínhamos que estar. Isso não foi apenas má sorte".

Conforme Obama usa seu dinheiro e organizações políticas para expandir seu mapa de atuação, McCain está sendo forçado a buscar apoio em Estados como Indiana e Carolina do Norte que não eram disputados há décadas.

Sua decisão de fazer campanha no domingo em  Iowa, um dia depois de Palin ter passado pela região, foi questionada mesmo pelos republicanos que perceberam que as pesquisas locais davam vantagem a Obama. Mas isso reflete as poucas opções que o comitê realmente tem, uma vez que pesquisa após pesquisa mostram que Obama solidificou sua posição.

McCain é recebido por plateias relativamente pequenas (particularmente em comparação às multidões que comparecem aos comícios de Obama) mesmo em Estados disputados.


Obama reúne muntidão em Indianápolis, Indiana / AP

Além disso, sua campanha sofre com disputas internas, com sinais de tensão entre os consultores de McCain e a equipe de Palin, e o criticismo público incomum de outros republicanos sobre como seus consultores lidaram com essa disputa.

Ambos os partidos disseram que há sinais de que dois Estados antes majoritariamente republicanos, a Geórgia e a Carolina do Sul, estão mais disputados, em parte por causa dos votos antecipados dos afro-americanos. Uma vitória de Obama nestes Estados parecia improvável (e não havia planos em seu itinerário que incluíssem a
região) mas isso é um sinal do quão volátil este ano tem sido pela quantidade de Estados disputados na última hora, ao invés de definidos.

Confiantes na vitória

Os consultores de McCain afirmaram que irão permanecer confiantes de que podem vencer. Eles disseram que seu candidato não planeja realizar nenhuma espécie de discurso de encerramento, como Obama irá fazer, mas que continuará a insistir nas questões dos impostos e gastos que lhe têm dado alguma força.

"Nos sentimos bem pelo fato de que quando as pessoas ouvem a mensagem sobre o compartilhamento das riquezas ao contrário do aumento dos impostos, elas respondem", disse Nicolle Wallace, consultor de McCain. "Agora só precisamos espalhar essa mensagem".

Os contornos destes dias finais sugerem a culminação de uma estratégia que os consultores de Obama colocaram em andamento no começo: usar sua enorme arrecadação para tentar colocar o máximo possível de Estados na disputa para sobrepujar McCain nos últimos dias da corrida eleitoral.

"Agora o mapa é grande, então temos que estar em muitos Estados nos próximos oito dias", disse David Plouffe, gerente de campanha de Obama.

A partir de agora, a Pensilvânia é o único Estado inclinado ao partido democrata que Obama pretende visitar, apenas em resposta ao que seus consultores disseram ser uma incorreta crença de McCain de que pode conquistar os votos locais. Além disso, Obama também fará um enorme esforço na Flórida, depois de uma parada no local na semana passada convenceu seus consultores de que ele tem chances de ganhar o Estado.

Por ADAM NAGOURNEY e JEFF ZELENY

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