Terremoto do Haiti deixa crianças à deriva em um mundo de caos

Pouco depois que Daphne Joseph, de 14 anos, escapou dos escombros de sua casa no dia do terremoto, ela embarcou em um ônibus abarrotado ao lado de seu tio e se arrastou em trânsito lento para a capital, onde sua mãe solteira vendia produtos de beleza na feira Tete Boeuf.

The New York Times |

"Mamãe", ela repetia. "Mamãe, eu estou chegando."

Ao sair do coletivo, Daphne se perdeu de seu tio e pegou um moto-táxi. Ela chegou sozinha na feira em ruínas e correu para uma pilha de escombros cheia de "pessoas quebradas", ela disse.

Ao se aproximar, ela viu sua mãe, sem vida. Ela gelou, ela disse, eventualmente vendo o corpo de sua mãe ser colocado em um carrinho de mão e desaparecer no caos.

"Quis me matar", Daphne disse em um sussurro.


Daphne Joseph, de 14 anos / NYT

As crianças do Haiti, que representam 45% da população, estão entre os mais desorientados e vulneráveis sobreviventes do terremoto. Milhares perderam seus pais, suas casas, suas escolas e seu propósito.

Elas sofreram ferimentos e passaram por amputações. Elas dormiram nas ruas, mendigaram por comida e tiveram pesadelos.

Duas semanas depois do terremoto, com o cheiro de morte ainda impregnado no ar, crianças podem ser vistas em cada canto devastado de forma resistente jogando futebol, empinando pipas, entoando músicas populares e coletando livros de ensino de escolas desmoronadas.

Mas conforme grupos haitianos e internacionais começam a cuidar dos mais necessitados entre elas, muitas crianças se mostram claramente traumatizadas.

"Há preocupações de saúde, preocupações de desnutrição, questões psicossociais e, claro, nós tememos que crianças desacompanhadas sejam exploradas por pessoas sem escrúpulos que podem querer traficá-las para adoção, para o comércio sexual ou para a servidão doméstica", disse Kent Page, porta-voz da Unicef.

Organizações de bem-estar da criança têm concentrado seus esforços iniciais nos órfãos e naqueles que estão separados de suas famílias. Na terça-feira, eles começaram a compilar um registro, enviando voluntários às ruas em busca de informação para um banco de dados no qual cada criança terá uma arquivo numerado para ajudar a localizar o seu caso, disse Victor Nyland da Unicef.

Tal registro foi usado na província indonésia de Aceh após o tsunami de 2004 pra ajudar a reunir famílias separadas.

Algumas crianças que não têm ninguém disposto a cuidar delas serão levadas a um dos três orfanatos da capital onde a Unicef está estabelecendo centros de cuidados interinos ou para espaços seguros estabelecidos através de outras organizações.

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