Terapeutas usam 'roteiros' para ajudar pacientes com pesadelos

Conhecida como roteirização ou domínio dos sonhos, técnica propõe que pessoas mudem seus pesadelos enquanto estão acordadas

The New York Times |

Seu carro está correndo a uma velocidade assustadora pelas ruas de uma grande cidade e algo horrível, algo com olhos gigantes, está te perseguindo, chegando perto.

Era um sonho, é claro, e depois que Gurule Emily, 50, o contou ao Dr. Barry Krakow, ele simplesmente pediu que ela o reimaginasse.

"Use o pensamento e a imaginação, feche seus olhos e mude o sonho da maneira que desejar", disse Krakow, fundador da Clínica do Sono no Centro de Artes e Ciências Maimonides e pesquisador de pesadelos.

Assim, o carro preto se transformou em um Cadillac branco, viajando a uma velocidade tranquila, sem ser perseguido. Os olhos tornaram-se bolhas, flutuando serenamente sobre a cidade.

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Marcia Naughton usa sensores antes de ir dormir na clínica do Sono no Centro de Artes e Ciências Maimonides de Albuquerque

A técnica, utilizada quando os pacientes estão acordados, é chamada de roteirização ou domínio dos sonhos e faz parte da terapia de ensaio do imaginário, que Krakow ajudou a desenvolver.

A terapia está sendo usada para tratar um número cada vez maior de pessoas que sofre de pesadelos.

Nos últimos anos, os pesadelos têm sido vistos cada vez mais como um distúrbio distinto, e os pesquisadores produziram um crescente número de evidências empíricas de que este tipo de terapia cognitiva pode ajudar a reduzir a sua frequência e intensidade, ou mesmo eliminá-los.

Os tratamentos são controversos. Alguns terapeutas, analistas junguianos em particular, não aceitam mudar o conteúdo dos pesadelos, argumentando que os sonhos enviam mensagens cruciais para a mente desperta.

Entre 4% e 8% dos adultos relatam ter pesadelos uma ou mais vezes por semana, de acordo com os pesquisadores do sono. Mas a taxa chega a 90% entre grupos como veteranos de guerra e vítimas de estupro, disse Krakow.

Ele e outros médicos estão usando cada vez mais o ensaio do imaginário, ou IRT na sigla em inglês, para tratar veteranos e soldados na ativa em guerra no Iraque e Afeganistão.

Hollywood acaba de lançar a sua própria interpretação sobre a ideia de controlar os sonhos, o filme "A Origem", um thriller cuja trama se desenrola nas mais negras camadas do mundo dos sonhos.

Subjacente à história está o conceito de sonho lúcido, outra técnica usada pelos médicos para ajudar os pacientes com medo de seus sonhos a perceber que estão sonhando quando um sonho estiver em andamento.

A última pesquisa de Krakow, que foi apresentada no mês passado na reunião anual da Associação das Sociedade Profissionais do Sono, encontrou uma conexão surpreendente entre a Desordem de Estresse Pós-Traumático e inúmeros distúrbios do sono.

Em uma análise dos estudos do sono realizada em mais de mil pacientes com diferentes graus de estresse pós-traumático, ele descobriu que de cinco a 10 outros problemas do sono podem estar envolvidos.

Altas taxas de apneia no sono, por exemplo, foram encontradas mesmo em pacientes com sintomas moderados de estresse pós-traumático.

Junto com outros pesquisadores, Krakow tem publicado estudos sobre o ensaio do imaginário, considerando que centenas de pacientes atendidos, cerca de 70%, relataram melhorias significativas na frequência de pesadelos depois que utilizaram o tratamento regularmente durante o período de 2 a 4 semanas.

Por Sarah Kershaw

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