Hanna deixa 90 mortos no Haiti; Ike vai para Bahamas" / Hanna deixa 90 mortos no Haiti; Ike vai para Bahamas" /

Tempestades tropicais violentas se tornam mais poderosas, aponta estudo

Um novo estudo descobriu que os furacões e tempestades mais fortes se tornaram ainda mais poderosas nas últimas duas décadas e meia, acrescentando para o debate contencioso sobre se o aquecimento global já tornou esses fenômenos da natureza ainda mais destrutivos. http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2008/09/04/aumenta_numero_de_mortos_por_hanna_ike_dirige_se_para_bahamas_1657133.htmlHanna deixa 90 mortos no Haiti; Ike vai para Bahamas

The New York Times |

Acho que podemos ver um sinal climático aqui, disse o dr. James B. Elsner, professor de geográfica da Universidade Estadual da Flórida, autor principal do estudo publicado nesta quinta-feira na revista Nature.

O estudo, que também descobriu que as tempestades mais comuns e menos poderosas não se tornaram mais fortes nos 26 anos estudado, é consistente com outros modelos de furacão feito por pesquisadores, disse Elsner.

A expectativa de que os oceanos continuem a esquentar torna mais possível a possibilidade de furacões na escala 4 ou 5, aqueles com vento mínimo de pelo menos 131 km/h.

Cerca de 90 tempestades tropicais com ciclones se formam todo ano ao redor do mundo. No Atlântico, onde há os mais fortes com ventos de pelo menos 119 km/h, são os furacões; o equivalente nos oceanos Pacífico e Índico são os tufões. Já se formaram dez tempestades no Atlântico nessa temporada de furacões, que continua até o final de novembro.

Calor dos oceanos esquentando darão mais energia para formar furacões e tufões, mas a mudança climática também pode aumentar condições como ventos que têm velocidades, direções e altitudes diferentes para acabar com a tempestade.

Por causa desses fatores ambientais, a maioria das tempestades fica bem pra trás de sua intensidade máxima possível. Mas Elsner, junto com Thomas H. Jagger, um pesquisador de pós-doutorado na Universidade da Flórida, e James P. Kossin, cientista pesquisador da Universidade de Wisconsin-Madison, argumentou que águas mais quentes aumentaram a possível intensidade e que tempestades que se desenvolvem em condições ideais podem ter se tornado mais fortes.

Examinando informações de satélites de 1981 até 2006, um período no qual a temperatura da superfície do mar aumentou de 28,2 ºC para 28,5ºC, eles concluíram que a velocidade máxima de ventos nas tempestades mais fortes chegavam a 251km/h em 2006, em 1981 era 225 km/h. O aumento nessas intensidades foi maior nos oceanos Atlântico e Índico.

Como os dados vieram de um grupo de satélites, os cientistas evitaram as dificuldades em calibragem que atrapalharam estudos anteriores.

Esse estudo oferece provas definitivas de que existem mais dos furacões mais fortes ao redor do mundo, apesar do número total de tempestades não mostrar muita tendência.

O dr. Christopher W. Landsea, gerente de ciências e operações no Centro Nacional de Furacões, que era cético em relação a essa ligação, disse que a metodologia estatística no novo estudo era excelente. Mas ele questionou as informações de sustentação, particularmente correções de dados tirados do oceano Índico antes de 1997, quando havia menos satélites observando as tempestades.

Ele também disse que as conclusões podem ter sido desviadas porque o começo da coleta de informações, 1981, coincidiu com um período relativamente quieto da atividade de furacões do Atlântico, enquanto o ponto final, 2006, foi um período ativo que começou em 1995.

O estudo tem estatísticas elegantemente calculadas, mas elas são geradas em dados que não são, em minha opinião, confiáveis para examinar como as tempestades tropicais mais fortes mudaram ao redor do mundo, disse Landsea.

Thomas R. Knutson, do Laboratório Geofísico de Dinâmica dos Fluídos, em Princeton, disse que as informações envolviam um período curto demais para tirar conclusões de longo prazo.

A pesquisa encontrou um resultado muito sugestivo e interessante, disse Knutson, mas ainda não é um marco definitivo para sinais do aquecimento global em furacões.

- Kenneth Chang

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