Ted Stevens é recebido como herói no Alasca

ANCHORAGE - Dois dias depois de ser condenado por sete acusações de alta traição em Washington, o senador Ted Stevens voltou ao Alasca na noite de quarta-feira para dar início a uma viagem de seis dias de campanha, dizendo a centenas de pessoas em um comício que será vingado na apelação e pedindo que votem nele para um sétimo mandato

The New York Times |

Acordo Ortográfico

"Eu irei representar o Alasca no Senado enquanto meus advogados dão andamento à apelação para limpar o meu nome", disse Stevens.

Stevens enfrenta uma acirrada competição com Mark Begich, prefeito democrata de Anchorage. Mesmo em um momento em que os principais líderes republicanos pedem que Stevens abandone o cargo e muitos especialistas dizem acreditar que sua chance de reeleição é pequena, algumas pessoas se recusam a eliminar a possibilidade de vitória do candidato, dado seu tamanho no Estado.

AP

Ted Stevens após condenação

O senador, no cargo há 40 anos e responsável por levar bilhões de dólares em dinheiro federal e projetos ao Alasca, foi recebido num hangar de aviões na noite de quarta-feira aos gritos de "Nós precisamos de Ted".

Dois dias antes, ele foi condenado por sete acusações de alta traição por não informar o recebimento de mais de US$250 mil em presentes e gastos com reformas de sua casa do ex-executivo da indústria petrolífera, William J. Allen. Antes do comício, Stevens encontrou ainda mais pressão para que abandonasse a disputa.

Diversos senadores republicanos se uniram no pedido da renúncia de Stevens. O senador Mitch McConnell de Kentucky, líder republicano no Senado, foi citado dizendo que  "há 100% de certeza" de que o Senado votaria na expulsão de Stevens caso ele vença a eleição e sua apelação seja negada. O senador John McCain, candidato republicano à presidência, e sua vice, a governadora Sarah Palin do Alasca, também pediram a renúncia de Stevens.

"Confiança ingênua"

Stevens não fez referências a estes pedidos na quarta-feira, mas passou metade de seu discurso de oito minutos criticando sua condenação. Ele expressou arrependimento, mas não chegou a se desculpar, dizendo que sua única culpa foi ter ingenuidade.

"Como a maioria das pessoas, eu não sou perfeito", disse Stevens em certo momento, antes de falar sobre Allen. "Eu ingenuamente confiei em alguém que pensei ser meu amigo e um homem honesto quando ele não era nenhum dos dois. Essa confiança ingênua, no entanto, colocou todos o povo do Alasca e a minha família numa situação da qual eu me arrependo profundamente".

Ele acusou os promotores federais de serem "capazes de fazer qualquer coisa para vencer" e deixou implícito que o fato do julgamento ter sido em Washington piora ainda mais sua ilegitimidade.


Ted Stevens é recebido por apoiadores no Alasca / AP

"Se eu tivesse um julgamento justo no Alasca, teria sido inocentado", ele disse sob aplausos da platéia.

Seus partidários sugeriram na platéia que o único veredito que importa é o das urnas. Uma pessoa segurava um cartaz dizendo: "O Alasca irá decidir, não Washington".

Stevens planeja fazer campanha em Fairbanks durante o dia nesta quinta-feira mas irá voltar a Anchorage para um debate com Begich na noite de quinta-feira. Esta será a primeira vez que Stevens confronta seu oponente em pessoa. Em alguns debates, ele apresentou respostas gravadas para perguntas fornecidas antecipadamente, enquanto Begich esteve presente.

Outra questão legal foi definida para Stevens desde sua condenação.
Depois de questionamentos sobre sua elegibilidade para votar, uma vez que ele foi condenado, o Departamento de Lei do Alasca concluiu na quarta-feira que ele poderá ir às urnas até que seja sentenciado. Sua sentença ainda não foi marcada.

Por WILLIAM YARDLEY

Leia mais sobre Ted Stevens

    Leia tudo sobre: alascaeua

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG