Taxistas mexicanos exploram fama de cidade do tráfico

MAZATLAN - A voz do guia turístico se transformou em sussurro quando ele apontou para a esquerda de seu táxi aberto e disse de maneira conspiradora: Vê esta casa? Ela pertence ao Chapo.

The New York Times |

O guia recuperou o tom normal ao virar a esquina, bem longe de qualquer um que pudesse ouvir de dentro do que ele disse ser um esconderijo beira-mar do traficante mais procurado do México, Joaquin Guzman Loera, conhecido como El Chapo, ou baixinho.

Apesar de Mazatlan vender a si mesma como um paraíso litoral no qual a maior dificuldade enfrentada pode ser a alta da maré, a praia tem um lado negro que muitos taxistas têm explorado com as não autorizadas "narco-tours".

Os mexicanos estão cansados da violência sem precedentes que atinge seu país conforme cartéis de drogas rivais se confrontam com as autoridades e entre si pelos lucros do tráfico. Mas a revolta carrega uma certa fascinação pela vida dos foras-da-lei.

Músicas narrando as explorações dos traficantes, conhecidas como narcocorridos, são muito populares, especialmente entre os jovens. E parece que muitos turistas mexicanos estão curiosos o suficiente a respeito dos mais notórios criminosos do país para pagar por um vislumbre de suas casas de férias e locais favoritos, sem mencionar os locais onde algumas de suas vidas foram subitamente interrompidas.

Mazatlan há muito é um dos destinos de férias dos cartéis, um ambiente relaxado no Estado dos grupos onde seus membros podem se afastar do stress do crime organizado.

Uma das paradas da narco-tour é a boate Frankie Oh, que nos anos 1980 era a melhor para se dançar a noite inteira. Até ser fechada pelo governo há alguns anos, era de propriedade de Francisco Arellano Felix, um dos irmãos da família responsável pelo cartel de Tijuana. Agora abandonada, a boate está em parte coberta por outdoors que as autoridades usam em vão para tentar cobrir o passado.

"Oficiais do turismo não querem promover a cultura dos narcóticos", disse Silvestre Flores, acadêmico de Sinaloa que escreveu sobre as tours do tráfico de Mazatlan. "Eles vêm isso como algo que danifica a imagem do lugar".

Por MARC LACEY

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