Tambor tradicional do Ramadã acorda moradores do Brooklyn

NOVA YORK ¿ Poucas horas antes do amanhecer, quando a maioria dos nova-iorquinos está dormindo, um homem de meia idade sai da cama no Brooklyn, coloca uma roupa vermelha com turbante da mesma cor, entra em seu carro, dirige 15 minutos, para e tira um grande tambor do automóvel e, na calçada de um bairro residencial, começa a tocar.

The New York Times |

O homem, Mohammad Boota, é um baterista de Ramadã. Todas as manhãs durante o mês sagrado islâmico, que termina no dia 21 de setembro, estes bateristas passeiam pelas ruas de comunidades muçulmanas de todo o mundo, acordando os fiéis para que possam fazer uma refeição antes que o jejum diário tenha início.


Boota toca tambor em comunidade do Brooklyn / NYT

Mas a cidade de Nova York, conhecida por dar boas-vindas a todas as tradições culturais, tem limites em sua hospitalidade. E assim Boota, um imigrante paquistanês, passou os últimos anos aprendendo incômodas lições sobre a liberdade dos xingamentos americanos e o mau humor dos não muçulmanos acordados às 3h30.

"Em todos lugares eles reclamam", ele disse. "Pessoas dizem, 'Que inferno é esse? O que você fazendo, homem?' Elas nunca sabem que isto é o Ramadã."

Boota, 53, que imigrou em 1992 e ganha a vida como motorista de limusine, começou a acordar os moradores do Brooklyn em 2002. No princípio ele se movia livremente ao redor do distrito, escolhendo um bairro para trabalhar a cada manhã do Ramadã.

Mas nem todos ficaram felizes, ele conta.

As pessoas abriam suas janelas e gritavam com ele, ou chamavam a polícia, que segundo ele, sempre o aconselhava amavelmente para que saísse do local.

Conforme os anos passaram, ele e seu tambor foram proibidos em um bairro atrás do outro. Agora ele atua apenas em um trecho da Avenida Coney Island onde vivem muitos paquistaneses.

Temendo que até mesmo este pequeno trecho possa lhe ser proibido, ele modificou sua postura - tocando muito abaixo do seu volume habitual, por apenas 15 ou 20 segundos em cada local, e apenas uma vez em cada três ou quatro dias.

As reclamações pararam, ele conta.

"Sabe", ele concluiu relutantemente, "nos Estados Unidos voce não pode fazer nada sem uma licença".

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