Taleban e Al-Qaeda voltam a representar problemas no Paquistão

As forças combatentes do Taleban e da Al-Qaeda na região de fronteira do Paquistão representam uma grave ameaça às tropas americanas e da Otan no Afeganistão. Uma grave ameaça ao povo paquistanês. Os militantes do Taleban paquistanês, como seus semelhantes no Afeganistão, estão tentando impor sua rígida versão da lei islâmica. Mais de mil paquistaneses morreram em ataques terroristas no ano passado, principalmente na região da fronteira, onde os combatentes radicais estão mais fortes.

The New York Times |

Os novos líderes civis e militares do Paquistão, presos em sua própria disputa por poder, têm sido perigosamente relutantes em reconhecer e confrontar a ameaça. Ao invés disso, eles se iludem acreditando que conseguirão negociar um tratado de paz com líderes fanáticos. Experiências anteriores provaram que isso não funciona.

Enviar tropas americanas para a região da fronteira paquistanesa para limpar a área de forças do Taleban e Al-Qaeda também não é a resposta (e criaria revoltas anti-americanas ainda piores no país). As tropas locais, mal pagas, pouco treinadas e cuja lealdade pode ser questionada, não estão à altura do serviço.

Reuters
Atentados tem sido frequentes no país

Os líderes civis do Paquistão e o novo comandante militar, general Ashfaq Parvez Kayani, precisarão se comprometer a combater os extremistas (em nome da estabilidade de seu próprio país) e a enviar unidades de elite especialmente treinadas para combater a insurgência. Os líderes tribais locais também precisam ser afastados do Taleban. Isso só acontecerá se Islamabade e Washington apoiarem suas promessas com uma substancial ajuda econômica.

Os Estados Unidos deram mais de US$7 bilhões em ajuda militar ao Paquistão nos últimos seis anos, com pouco desse dinheiro sendo usado para combater a insurgência. Durante o mesmo período, Washington ofereceu pouco menos de US$3 bilhões em outros formas de ajuda.

Nesse mês os senadores Joseph Biden e Richard Lugar planejam apresentar um projeto de lei muito razoável que geraria cerca de US$15 bilhões em ajuda ao Paquistão nos próximos 10 anos, para o desenvolvimento econômico, da saúde e educação do país. O Congresso deve aprovar essa ajuda rapidamente.

Os Estados Unidos também precisam trabalhar com o novo governo do Paquistão para estabelecer as prioridades de gastos e garantir que qualquer ajuda futura seja direcionada ao fortalecimento do governo civil e permita que ele reconquiste o controle sobre os militares, que geralmente se auto-governam, e os serviços de inteligência que parecem mais leais aos extremistas do que ao próprio governo.

Quando o primeiro-ministro do Paquistão, Yousaf Raza Gilani, visitar Washington no final desse mês, o presidente Bush deve lhe oferecer apoio político e econômico em troca de um compromisso da defesa do governo afegão e da luta contra o Taleban e a Al-Qaeda.

Washington cometeu muitos erros em relação ao Paquistão (principalmente defendendo Pervez Musharraf durante muito tempo). Com isso, perdeu grande parte de sua credibilidade com o povo paquistanês e reforçou a crença que a luta contra os extremistas é uma "guerra de Washington" e não sua.

Ambos os países têm um interesse comum e crescente em diminuir o poder da Al-Qaeda e do Taleban e em trabalhar juntos para promover a democracia e o desenvolvimento no Paquistão. O presidente Bush precisa convencer os líderes do Paquistão disso (e precisa fazer isso agora, antes que a Al-Qaeda e o Taleban se fortaleçam).

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