Taleban amplia ações para o norte do Afeganistão

Com tropas estrangeiras concentradas em regiões violentas do sul, grupos insurgentes mudam foco para províncias antes tranquilas

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A cidade de Kunduz, outrora uma encruzilhada no nordeste do país, tem sido cada vez mais assediada. O aeroporto fechou meses atrás para voos comerciais. As estradas em direção ao sul, para Cabul, e ao leste, para Tajiquistão, bem como norte e oeste, não são mais seguras para os afegãos e muito menos para os ocidentais.

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Kunduz, no norte do Afeganistão, região onde ataques insurgentes têm aumentado
Embora os números de tropas americanas e alemãs no norte do país tenha dobrado desde o ano passado, a insegurança se espalhou e os talebans expandiram seu alcance. Grupos armados que supostamente apoiam o governo estão aterrorizando a população local e prejudicando as organizações de ajuda humanitária, de acordo com trabalhadores humanitários internacionais, autoridades do governo afegão, moradores locais e diplomatas.

A crescente fragilidade no norte do país evidencia as limitações do esforço americano no Afeganistão, dificultada pelo apoio político cada vez menor e um número fixo de tropas. A revisão anual do Pentágono enfatizou os progressos duramente conquistados no sul, centro da insurgência, onde os militares têm concentrado mais tropas. Mas esses avanços vieram às custas da insegurança no norte e leste do país.

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Militares americanos patrulham a província de Ghazni, no Afeganistão
O comando da Otan definiu a instabilidade do Afeganistão em termos da insurgência taleban, que é a disputa mais recente. Para muitos, o período de 20 anos atrás, quando senhores da guerra mujahedin dividiram o país em feudos, é a origem dos medos atuais. Foi o comportamento dos senhores da guerra, entre outros fatores, que levou o país aos braços do Taleban, em 1990.

"O norte tem sua própria lógica", disse Pablo Percelsi, diretor de operações no norte do Afeganistão para o Comitê Internacional da Cruz Vermelha. "Os talibãs são apenas uma pequena parte da equação. Há toda a estrutura das milícias e grupos que arrecadam dinheiro dos civis através de sequestros e ações contra estrangeiros".

Estratégia

A atual estratégia da Otan pretende transformar muitas dessas milícias em forças da polícia local, o que aumentaria a polícia muitas vezes escassa. No entanto, muitos oficiais afegãos temem que o plano irá legitimar os grupos, alguns dos quais são formados por bandidos, e com isso colocar uniformes do governo em homens armados cuja verdadeira lealdade é para com o seu grupo.

Também conhecidos como "arbekais", estes grupos armados incluem milícias semioficiais, organizadas e pagas pelo serviço de inteligência afegão, mas outros são simplesmente gangues armadas que rondam pelas aldeias exigindo comida, abrigo ou dinheiro.

Os abusos de grupos armados, juntamente com a cassação de grupos pashtuns que ganharam algumas cadeiras no Parlamento na maioria das províncias do norte, começou a tornar os talibãs mais atraentes para aqueles que já estão desiludidos com o governo.

Os talebans começaram a se espalhar pelo o norte em áreas que anteriormente eram tranquilas, como a capital da província de Sar-i-Pul e a província vizinha de Faryab. Em 24 de outubro, Mais de 50 combatentes talebans encenaram um ataque complexo a Sar-i-Pul no dia 24 de outubro para tentar obter a libertação de prisioneiros do grupo.

*Por Alissa J. Rubin

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