Suspeitos de espionagem fracassaram em obter segredos

Os supostos agentes russos revelados pelo FBI tinham tudo para uma espionagem classe A, exceto segredos reais para enviar a Moscou

The New York Times |

A suposta cadeia de espiões russos desmantelada pelo FBI esta semana tinha tudo o que precisava para realizar uma espionagem de primeira classe: excelente treinamento, aparelhos de ponta, profundo conhecimento da cultura americana e histórias meticulosamente criadas como disfarce. A única coisa que faltou em mais de uma década de funcionamento: segredos reais para mandar para Moscou.

As tarefas, descritas em instruções secretas interceptadas pelo FBI, eram coletar fofocas políticas de rotina e conversas sobre projetos de leis que poderiam ter sido mais eficientemente encontradas na internet.

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Sede do serviço de segurança da Rússia, antes quartel-general da soviética KGB, é vista a partir de parada de ônibus em Moscou
E nenhuma das 11 pessoas envolvidas no caso enfrentam acusações de espionagem porque em todos esses anos eles nunca foram pegos enviando informações confidenciais a Moscou, informaram as autoridades dos EUA.

Enquanto veteranos da Guerra Fria ficam intrigados com o que motivou o esforço extraordinário da Rússia em infiltrar agentes na sociedade americana, as autoridades russas e americanas assinalam que as prisões não afetarão a retomada das relações entre os países.

As autoridades americanas revelaram que as prisões foram feitas no fim de semana porque um dos suspeitos de serem agentes russos, Richard Murphy, estava planejando viajar para fora dos Estados Unidos na noite de domingo, possivelmente para sempre.

As autoridades americanas disseram acreditar que a maioria dos espiões acusados havia nascido na Rússia e recebido treinamento sofisticado antes de mudar-se para os EUA, posando como casais.

Eles conseguiram contato com vários americanos de influência ou conhecimento, incluindo um "proeminente financista nova-iorquino", descrito como um investidor político com laços pessoais com um funcionário do gabinete governamental, um ex-oficial de segurança de alto escalão e um especialista em armas nucleares. 

Mas eles não foram instruídos a procurar empregos no governo porque os chefes de espionagem em Moscou acreditavam que suas histórias de disfarce não resistiriam a uma investigação séria de seu passado.

Portanto, sua tarefa era simplesmente alimentar Moscou com documentos informativos sobre temas de questões econômica, sobre as principais personalidades do governo americano, além de assuntos diplomáticos e militares.

Mas por que a inteligência russa pediria essas informações de pessoas que se estabeleceram em Nova Jersey, como um dos casais - ou perdido em Yonkers, como Neil Simon poderia ter dito de outro dos casais que viveu naquela cidade na fronteira norte de Nova York - em vez de, por exemplo, especialistas na Embaixada Russa em Moscou ou em Washington?

"Eles tinham passe livre", disse Milton A. Bearden, que atuou por três décadas no serviço clandestino da CIA e coordenou a Divisão Soviética e do Leste Europeu entre 1989 e 1992, durante a queda da união. "Talvez acabe morando ao lado de um cara que é o diretor de equipe em algum comitê e faremos churrascos ou treinarei seu filho no time da escola", disse Bearden. "O que temos a perder?"

No final, o desafio de Moscou em uma operação de longa duração como essa era garantir que seus agentes permaneceriam leais em meio aos confortos da vida suburbana americana.

Após o colapso do comunismo, disse Bearden, vários agentes checos "clandestinos" nos EUA se recusaram a voltar para casa, dizendo que sentiam haver se tornado americanos.

* Por Scott Shane e Benjamin Weiser

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