Suspeita de envolvimento do Paquistão pode prejudicar estratégia americana na região

ISLAMABADE - Os ataques terroristas em Mumbai aconteceram no momento em que Índia e Paquistão, duas nações de peso nuclear hostis entre si, conseguiam melhorar suas relações com a ajuda dos Estados Unidos e da vindoura gestão Obama.

The New York Times |

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Estes passos podem retroceder, com sérias consequências para os americanos, caso a Índia encontre sinais de que paquistaneses elaboraram a bem planejada operação terrorista.

A Índia levantou as suspeitas, mas o Paquistão negou veemente que tenha algum envolvimento nos ataques.

Não importa quem foram os responsáveis pelos ataques em Mumbai, sua escala e escolha de alvos internacionais dificultarão a agenda da próxima presidência dos Estados Unidos na região.

A reconciliação entre a Índia e o Paquistão se tornou um princípio básico da postura de política externa do presidente eleito Barack Obama e do novo líder do Comando Central, o general David H. Petraeus.

A questão principal seria persuadir o Paquistão a concentrar menos esforços militares na Índia e mais nos militantes desenfreados das regiões tribais que prejudicam seu país.

Uma mudança estratégica dos militares paquistaneses da Índia para um esforço concentrado contra o Taleban e seus aliados da Al-Qaeda, segundo a estratégia, serviria para enfraquecer os militantes que combatem as forças americanas e da Otan no Afeganistão.

Mas ataques devastadores como estes de Mumbai (se foram perpretados por militantes indianos ou estrangeiros) devem piorar as relações e alimentar a desconfiança, pelo menos por enquanto, prejudicando assim as ambições de paz que os americanos nutriam para a região.

Paquistão

Os primeiros sinais vieram quando a Índia, onde eleições estaduais devem acontecer na semana que vem, deu sinais de que adotará uma postura dura, culpando o país vizinho. Em seu pronunciamento à nação, o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, que no passado foi relativamente moderado em sua postura em relação ao Paquistão, soou mais agressivo.

Ele disse que os ataques provavelmente tinham "elos externos" e que foram realizados por um grupo "baseado fora deste país". Pode haver um "custo" aos "nossos vizinhos", ele disse, caso seu território tenha sido usado como base para os ataques.

O primeiro-ministro não falou o nome do Paquistão. Mas todos (certamente nos noticiários do país vizinho) sabiam o que ele quis dizer e que a longa história de acusações entre os países havia voltado.

O influente jornal indiano The Hindustan Times reportou na quinta-feira que as agências de segurança da Índia acreditam que os ataques múltiplos em Mumbai têm origem em um grupo militante islâmico, conhecido como Lashkar-e-Taiba, que opera pelo Paquistão.

De acordo com o jornal, o secretário especial do Ministério do Interior, M.L. Kumawat, afirmou que o Lashkar-e-Taiba é uma "possibilidade". O jornal chegou a quase acusar a agência de inteligência do premiê paquistanês, a Inter-Services Intelligence, de ajudar o planejamento do Lashkar-e-Taiba e executar a operação em Mumbai, um papel que o governo indiano concedeu à agência paquistanesa em ataques terroristas no passado.

Mas se a Índia descobrir que a agência de inteligência tem relação com os ataques em Mumbai (mesmo se através de elementos desviados do princípio do órgão paquistanês) as conquistas de um relacionamento um pouco melhor tende a piorar novamente. Isso pode em parte ser a motivação dos terroristas.

"Caso os indianos acreditem que o Lashkar-e-Taiba e a Al-Qaeda são responsáveis pelos ataques, como sugerem, podemos ver uma crise similar a de 2002 e precisaremos fazer algo a respeito", disse um oficial americano sob condição de anonimato. "A questão principal é saber quem os indianos irão culpar".

Depois da morte de uma dúzia de pessoas em um ataque contra o parlamento de Nova Déli em dezembro de 2001, a Índia culpou o grupo jihadista, Jaish-e-Muhammad e disse que a Inter-Services Intelligence havia apoiado a operação. No ano seguinte os países permaneceram à beira de uma guerra com forças armadas posicionadas ao longo da fronteira de 2,897km.

De acordo com o livro, "The Search for al-Qaida" (A Busca pela Al-Qaeda, em tradução livre) de Bruce Riedel, consultor para assuntos do sul da Ásia do presidente eleito Obama, Osama Bin Laden trabalhou com a agência de inteligência paquistanesa no final dos anos 1980 para criar a Lashkar-e-Taiba como um grupo jihadista que almejava desafiar o comando indiano na Cachemira.

Mas o novo presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, parece agir de acordo com as regras americanas para alcançar relações melhores com a Índia.

Com cabeça de negociante, Zardari entende os benefícios de um forte elo comercial entre Índia e Paquistão. Agora sob ajuda do Fundo Monetário Internacional, o Paquistão, que é uma economia em grandes dificuldades, lucraria muito com a normalização das relações.

Por JANE PERLEZ

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