Superioridade bélica da Rússia não conquista a mídia

MOSCOU - O firme controle do Kremlin sobre a mídia nos últimos anos ficou evidente durante o conflito na Geórgia pela forma como a televisão local retratou os discursos do líder do país invadido.

The New York Times |

Sua voz foi dublada num russo agudo que buscava retratar um déspota linha dura que levou a região à crise por uma opção maníaca.

Ainda assim, apesar do sucesso do governo em controlar as notícias na Rússia, o governo pareceu pouco preparado para lidar com a repercussão internacional. Aparentemente não entendendo que a mesma figura que zombava em seus canais (o presidente Mikheil Saakashvili,  da Geórgia) usava sua fluência em inglês para dominar a cobertura da mídia no resto do mundo.

E os russo não apareceram em lugar algum, pelo menos no começo.

Não é a apenas a imagem geral da Rússia que está em jogo. A Rússia e a Geórgia tentaram convencer o mundo que o outro lado é responsável pelo conflito, comete atrocidades e falha em respeitar o cessar-fogo.

Enquanto observadores internacionais terão muito a dizer em diversas dessas questões, a crise também está sendo julgada na corte da opinião pública, especialmente na Europa, que se tornou o maior árbitro entre Washington e Moscou conforme a tensão aumenta.

Apenas quatro dias depois do início do conflito (um longo período para os noticiários de 24 horas), um oficial do Kremlin foi enviado à CNN para contestar Saakashvili. Sergei B. Ivanov, confidente do primeiro-ministro Vladimir V. Putin, que fala um inglês fluente e tem ampla experiência em lidar com o Ocidente, rapidamente reconheceu que uma infeliz percepção tinha tomado conta da cena.

"Um enorme urso russo atacou a pequena e pacífica Geórgia", disse Ivanov antes de tentar desfazer o estrago. "Na verdade, a situação é e foi exatamente o oposto. A grande Geórgia atacou a pequena e sensível região da Ossétia do Sul".

A relutância do Kremlin em buscar apoio para sua postura com a mesma intensidade que enviou tanques à Geórgia mostra como o país vê o mundo. Sob Putin, o país desenvolveu uma enorme ambivalência em relação ao Ocidente, refletida no seu desconforto em ter que justificar suas ações e uma suspeita que não importa o que diga, o tabuleiro está contra eles.

Por CLIFFORD J. LEVY

Opinião:

Leia mais sobre: Geórgia  - Rússia


    Leia tudo sobre: georgiageórgia

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG