Sul-coreanos usam redes sociais para inserir talentos no mercado mundial

YouTube, Facebook e Twitter ajudam bandas do chamado K-pop, ritmo da Coreia do Sul, a atingir público no Ocidente

The New York Times |

Patricia Augustin, 19 anos, da Indonésia, disse que vasculha a internet todos os dias para encontrar as últimas notícias sobre a música pop sul-coreana. Paula Lema Aguirre, uma estudante do ensino médio do Peru, disse que gosta muito de cantar canções da Coreia do Sul.

Nenhuma das duas nasceu no país ou fala coreano fluentemente, mas isso não as impediu de, juntamente com cerca de 40 outros aspirantes a cantores de 16 países, chegar às finais da competição do Festival Mundial K-Pop, que ocorreu na cidade de Changwon, na Coreia do Sul, em dezembro. Lá, cantaram letras coreanas diante de uma multidão enlouquecida.

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NYT
Integrantes do grupo Nine Muses ensaiam coreografia em Seul, na Coreia do Sul (16/12/2011)

O K-pop faz parte de uma tendência mais ampla conhecida como a Onda Coreana, também chamada de "hallyu" em coreano. Os taiwaneses foram os primeiros a notar a invasão das novelas coreanas na sua programação de televisão na década de 1990 e batizaram o fenômeno.

A Onda Coreana conquistou a Ásia há algum tempo, mas antes da proliferação global das redes sociais, as tentativas das estrelas do Festival K-pop de entrar em mercados ocidentais, incluindo o americano, fracassaram.

Agora, YouTube, Facebook e Twitter ajudam as bandas de K-pop a chegar a um público mais amplo no Ocidente. Os fãs estão se voltando para as mesmas ferramentas das redes sociais para compartilhar a sua devoção.

O K-pop tem agora seu próprio canal no YouTube e os vídeos de bandas como Girls' Generation tiveram quase 60 milhões de visualizações. O grupo fez sua estreia na televisão americana com uma participação no programa "Late Show" de David Letterman em janeiro.

O estilo das bandas de K-Pop pode ser definido como uma fusão de música feita com sintetizadores, videoarte, roupas da moda e uma certa provocação sexual misturada com um ar de inocência.

As músicas têm refrão repetitivo, muitas vezes intercalado com o inglês, e coreografias sincronizadas que se tornaram uma moda tão grande na Ásia que crianças em salas de aula, soldados nos quartéis e presos em suas celas já as imitaram.

Mas nem todos estão convencidos de que o K-pop tem a capacidade de permanecer nas paradas musicais dos Estados Unidos. O surgimento do K-Pop no programa do David Letterman e na parada da Billboard "não significa muita coisa", disse Morgan Carey, um consultor de música de Los Angeles que trabalha com selos coreanos de música pop desde 2007.

"Misturar produtores americanos e artistas convidados para participar dos eventos mesmo depois de sua popularidade ter diminuído neste mercado" irá fazer com que o legado do K-pop se limite a um nicho do mercado, disse ele. "A melhor coisa a se fazer seria pegar um artista desconhecido com um ótimo talento no mercado asiático e desenvolvê-lo no mercado americano."

Por Choe Sang Hun e Mark Russell

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