Suicídio assistido de mulher saudável reabre debate na Alemanha

FRANKFURT, Alemanha - Quando Roger Kusch ajudou Bettina Schardt a se matar no sábado, o sombrio ritual, cuidadosamente coreografado, foi como o de muitos suicídios assistidos, como uma exceção.

The New York Times |

Schardt, 79, uma técnica de raio-x aposentada da cidade de Wuerzburg, não estava doente ou morrendo. Ela simplesmente não queria se mudar para um asilo e preferiu pedir a ajuda de Kusch, um proeminente defensor do suicídio assistido, para abandonar o barco.

Ela engoliu um coquetel mortal de remédios contra malária e sedativo diazepam, revelou Kusch  durante uma coletiva de imprensa na segunda-feira, 30.

O suicídio de Schardt (e a ampla publicidade feita por Kusch a respeito) gerou uma comoção nacional a respeito dos limites sobre o direito à morte, num país que luta com a questão mais do que os outros porque foi palco da aplicação da eutanásia pelos nazistas em mais de 100 mil deficientes mentais e doentes incuráveis.

A conservadora chanceler alemã, Angela Merkel, declarou na quarta-feira, 4, em um canal de notícias local, "Eu sou completamente contra o suicídio assistido, seja ele por qualquer motivo".

Na sexta-feira, cinco Estados alemães irão pressionar por leis que proíbam companhias de ajudar pessoas a se matar. O próprio suicídio não é um crime, nem a ajuda a cometê-lo, desde que não cruze a linha e se torne eutanásia ou assassinato por piedade.

Atitude polêmica

Ao ajudar Schardt a acabar com sua vida e então transmitir o resultado, Kusch trouxe o debate de volta à mesa. Ex-funcionário do governo de Hamburg, Kusch, 53, disse que ajudaria outras pessoas como ela que decidam por sua livre e espontânea vontade cometer o suicídio.

"Minha oferta, desde sábado, é permitir que as pessoas morram em suas próprias camas", ele disse. "Esse é o desejo da maioria das pessoas e agora é possível na Alemanha".

Com uma inclinação à publicidade, Kusch lembra Jack Kevorkian, o defensor da eutanásia de Michigan que desafiou as autoridades a impedirem seus suicídios assistidos e acabou na cadeia. Mas Kusch, advogado de formação, é cuidadoso em não ultrapassar as barreiras legais.

Kusch Schardt aconselhou Schardt sobre como cometer o suicido, mas não lhe deu os remédios. Ele deixou o quarto depois que ela bebeu a combinação tóxica e voltou três horas depois para encontrá-la morta. Ele gravou todo o processo como prova de que não foi um participante ativo.

Promotores analisaram o caso, mas não parece que Kusch corra algum risco legal.

Leia mais sobre: suicídio  - eutanásia

    Leia tudo sobre: eutanásiasuicídio

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG