Suicídio assistido de maestro britânico e sua mulher reabre debate na Grã-Bretanha

LONDRES - A controvérsia sobre as questões éticas e legais em torno do suicídio assistido para doentes terminais ressurgiu na terça-feira quando foi anunciado que um dos mais famosos maestros da Grã-Bretanha, Sir Edward Downes, voou para a Suíça com sua mulher e, juntamente com ela, bebeu um coquetel de barbitúricos oferecido por uma clínica especializada.

The New York Times |

AP
Edward Thomas Downes, de 85 anos
Segundo amigos que falaram à mídia britânica, Downes não era doente terminal, mas queria morrer junto de sua mulher enferma, que foi sua parceira durante mais de meio século.

Em uma entrevista ao jornal London Evening Standard, os filhos do casal disseram que acompanharam o pai, que tinha 85, e a mãe, Joan,  74, no voo de terça-feira entre Londres e Zurique, onde o grupo Dignitas os ajudou a arranjar o suicídio. Os filhos disseram ter assistido às lágrimas quando seus pais beberam "uma pequena quantidade de líquido claro" antes de se deitarem em camas lado a lado, de mãos dadas.

"Em pouco tempo eles estavam dormindo e morreram em menos de 10 minutos", disse o filho do casal Caractacus Downes, 41. "Eles queriam estar perto um do outro quando morressem".

Ele acrescentou, "esta é uma forma muito civilizada de encerrar sua vida e eu não entendo por que a posição legal deste país não a permite".

Edwards Downes, que foi descrito em uma declaração emitida na tarde de terça-feira por Caractacus Downes e sua irmã, Boudicca, 39, como "quase cego e com audição cada vez mais debilitada", foi o principal maestro da Orquestra Filarmônica da BBC entre 1980 e 1991. Ele também conduziu a Opera Real em Covent Garden, onde realizou mais de 950 apresentações ao longo de mais de 50 anos.

Joan Downes, que segundo os jornais britânicos estava nos estágios finais do câncer, foi bailarina, coreógrafa e produtora de televisão que devotou seus últimos anos a trabalhar como assistente de seu marido.

A tentativa de suicídio é uma ofensa criminal na Grã-Bretanha, bem como ajudar outros a tirarem a própria vida. Mas desde que uma clínica em Zurique coordenada pela Dignitas foi estabelecida em 1998 sob uma lei local que permite que as clínicas ofereçam as drogas letais, as autoridades britânicas têm fingido não ver os cidadãos de seu país que vão até lá para morrer.

Nenhum dos familiares ou amigos que acompanharam as 117 pessoas que viviam na Grã-Bretanha e que viajaram até Zurique para morrer foram acusadas e especialistas legais dizem que é improvável que isso aconteça com os Downes.

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