Solucionando dúvidas sobre restos mortais de Caravaggio

Restos mortais do pintor são recebidos com festa em Porto Ercole, na Itália

The New York Times |

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Restos mortais de Caravaggio são recebidos em Porto Ercole (03/07)
Quatrocentos anos depois que Michelangelo Merisi, conhecido como o pintor Caravaggio, faleceu em Porto Ercole, cidade costeira da Toscana - miserável, febril e escondido de inúmeros inimigos - seus supostos restos mortais foram recebidos com tratamento dado a um herói, no sábado.

Colocados sobre uma almofada de veludo vermelho dentro de uma caixa transparente, os ossos - fragmentos do crânio, um fêmur incompleto e parte de um osso da base da coluna - chegaram ao porto em um navio impressionantemente alto, saudado por uma pequena multidão que aplaudia eufórica.

"Quando começamos, as pessoas achavam que éramos loucos", disse Vinceti Silvano, o presidente do grupo que buscou identificar os ossos do pintor do século 17, aos dignitários e moradores da cidade reunidos no cais. "Mas este tipo de loucura é o que agora permite que os italianos ofereçam ao mundo algo que pode ser exaltado a partir de um ponto de vista científico", afirmou, atraindo mais aplausos.

Durante séculos, as circunstâncias da morte de Caravaggio estiveram envoltas em mistério, com seus contemporâneos oferecendo poucos detalhes além de identificar Porto Ercole como seu lugar de descanso final.

Seu corpo, porém, nunca havia sido encontrado.

Mas após um ano de investigações, que incluíram testes de DNA, Vinceti e uma equipe de cientistas disseram em junho passado que haviam identificado um grupo de ossos de uma cripta local como sendo Caravaggio.

Inicialmente, Vinceti disse que podia ter apenas 85% de certeza de suas conclusões.

Mas no sábado - citando meses de referências cruzadas de documentos históricos e vários testes científicos - ele disse que estava 100% certo.

"Isto", disse Vinceti, "é Caravaggio".

Mas alguns historiadores da arte discordam.

"Essa é uma conclusão que ofende a inteligência das pessoas", disse Vincenzo Pacelli, um historiador de arte e estudioso dos últimos dias de Caravaggio, acusando a comissão de perpetrar uma lenda urbana.

Depois de entrar em uma cripta local que Vinceti acreditava ser de Caravaggio, os cientistas examinaram diversos esqueletos, destacando aqueles compatíveis com a estatura e idade do pintor.

A tecnologia de datação por carbono estreitou o campo a um candidato e amostras de DNA extraídos dos ossos foram comparados com o DNA de moradores com o sobrenome Merisi ou Merisio de Caravaggio, a cidade lombarda cujo nome o pintor tomou.

O DNA também abrigava vestígios de chumbo, um elemento que era comum nas tintas a óleo de 1600, o que Vinceti ofereceu como a "prova máxima" da identificação positiva.

A comissão concluiu que debilitado pela sífilis e outras doenças, ele morreu de insolação.

Por Elisabetta Povoledo

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