Soldados buscam conforto em fantasmas em bases militares no Iraque

Por Rod Nordland, no Iraque BASE DE OPERAÇÕES WARHORSE, Iraque - Soldados acreditam em fantasmas. Eu sei disso porque quando estou ao lado de soldados, é o único momento em que eu acredito em fantasmas. E não é nenhuma surpresa que os soldados nunca falem sobre isto por medo de parecerem tolos. Ao invés disso, eles investem em ambientes que homenageiam e marcam estes espíritos.

The New York Times |

Eles batizam seus refeitórios (antes conhecidos como salas da bagunça) e seus centros sociais, bem como qualquer outra estrutura semi-permanente, com o nome dos que caíram em batalha.

Até mesmo as estradas das grandes bases operacionais, como esta aqui perto de Baqouba, na província de Diyala, às vezes assumem os nomes de fantasmas. A Base Warhorse, por exemplo, batizou seu Teatro de Faulkenburg, em homenagem ao sargento major Steven W. Faulkenburg, que morreu em combate em Fallujah em novembro de 2004.

Os fantasmas dos mortos se tornam uma presença tranquilizadora (para que os vivos saibam que não serão esquecidos) e sóbria, assim todos podem ver com que frequencia a morte os visitou.

Este é notavelmente o caso do Jardim Memorial Never Forget aqui da base, com seu provérbio militar: "Todos deram algo, alguns deram tudo".


Jardim Memorial Never Forget, no Iraque / NYT

A homenagem teve início em 2004 com uma laje de ardósia colocada sobre uma parede destruída por uma explosão, listando os nomes do 27 homens da 4ª Divisão de Infantaria mortos entre 2003 e 2004. Cada equipe que passa pela base deixa sua própria estrutura, com os nomes de seus mortos sob insígnias de suas divisões ou regimentos.

Conforme a guerra continua, mais paredes retiradas de explosões foram se somando ao local, com mais lajes de ardósia para listar os nomes sobre elas; cada rotação anual de uma nova unidade somou as forças armadas e os nomes de seus mortos.

A destacada 3ª Divisão de Infantaria aparece duas vezes: em rotações que os militares chamaram de Operação Liberdade Iraquiana 1 e 3; quatro morreram na primeira e 30 na segunda.

Agora o memorial está compilando sua sétima lista, a rotação da 1ª Brigada Stryker na Base Warhorse. Esta é a mais curta até então, apenas 10 nomes, e sua excursão já passou da metade do andamento.

A lista mais longa é da 3ª Brigada da 1ª Divisão de Cavalaria. Ela toma duas lajes com seus 110 nomes. Eles estiveram aqui de novembro de 2006 a dezembro de 2007, quando a Al-Qaeda, fugindo de um contra-ataque sunita, entrou em confronto com eles em Bagdá e na província de Anbar, mudando seu foco para a província de Diyala, um lugar de seitas mistas onde encontraram terreno fértil.

"Lamentavelmente, minha unidade tem mais nomes", disse o coronel David Sutherland, que liderou a brigada e agora trabalha no Pentágono. "Não é algo do qual eu me orgulhe, mas tenho orgulho das realizações dos nossos soldados".

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