Soldados americanos veem guerra como trabalho e carreira

Em meio a resultados mistos, americanos deixam de encarar o confronto como causa gloriosa e passam a enxergá-lo como um emprego

The New York Times |

O sargento Lucas C. Trammell, um atirador de tanque da 3 ª Divisão de Infantaria, lutou para entrar em Bagdá, em 2003. Ele voltou em 2005, trocando o tanque por patrulhas a pé em uma insegura Ramadi, e novamente em 2007, como guarda-costas de um comandante de batalhão em Bagdá.

Ele matou inimigos e perdeu amigos. Recebeu tratamento para transtorno de estresse pós-traumático. E está de volta ao Iraque pela quarta vez, como parte de uma força de apenas 50 mil soldados que já não entrarão em combate a partir do dia 31 de agosto. Trammell é um dos milhares de soldados e oficiais para quem o legado do Iraque, como o do Afeganistão, tem sido uma revisão do que significa ser americano na guerra de hoje.

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Soldado americano patrulha área onde antes se estabelecia insurgência sunita, no oeste de Bagdá
A 3 ª Divisão de Infantaria passou mais de quatro anos no total em uma guerra que já dura 7 anos e meio – e pode ainda não ter acabado. Esses soldados, muito mais do que quaisquer outros americanos, carregam os fardos pessoais e profissionais de um conflito que perdeu apoio em casa.

Para aqueles que nela lutam, a guerra no Iraque não é uma causa gloriosa, como o antigo anúncio costumava vendê-la, ou uma aventura. É um trabalho.

Inacabado

Mesmo com o fim formal das operações de combate este mês, é um trabalho que permanece inacabado – dezenas de milhares de soldados vão ficar por pelo menos mais um ano – e que, como muitos trabalhos, inspira grandes emoções apenas entre aqueles que o fazem.

“Muitas pessoas em casa estão cansadas dessa guerra”, disse o sargento Trevino D. Lewis, diante da academia, em Camp Liberty, uma base cheia de pó e entulho perto do aeroporto de Bagdá, revelando o argumento de muitos soldados. As pessoas nos Estados Unidos conseguem esquecer e não pensar nessa guerra, mas eles não.

“Eu vejo isso como meu emprego”, contou ele, negando as inúmeras formas de racionalização da guerra, das armas de destruição em massa que não existiam até a derrubada de Saddam Hussein e o estabelecimento da democracia no mundo árabe. “É a minha carreira”, enfatizou.

O senso de dever, ainda forte entre aqueles que serviram aqui, não deixa de ser temperado pelo fato de que a guerra está diminuindo lentamente – ou, como um soldado colocou, esmorecendo – com resultados mistos.

Democracia autocrática

A invasão deixou para trás uma democracia em uma região autocrática do mundo, mas ela ainda é jovem e perturbada, com controle incerto de sua segurança e de seu destino.

“Se eu acho que as crianças correndo por aqui ter um futuro melhor agora?”, avalia Trammell em Camp Karbala, perto da cidade sagrada xiita de mesmo nome. “Para ser honesto, eu realmente não me importo. Como país, era essa a coisa certa a fazer? No fim do dia, quando olho para trás, eu não perdi um soldado do meu pelotão. Isso é o que importa para mim”.

*Por Steven Lee Myers

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