Soldado em guerra, mãe em conflito

Quando Jaymie Holschlag voltou para casa depois de 12 meses no Iraque, crianças diferentes esperavam por ela. Seu filho, Seth, 10, que havia ido morar com o avô, mudando de cidade e escola, estava bravo e deprimido. Suas notas haviam piorado muito e ele havia engordado 27 quilos. Sua filha de quatro anos, Celeste, mal a reconhecia.

The New York Times |

Além disso, na ausência de Holschlag, novas regras impostas às crianças durante sua ausência faziam com que qualquer tentativa de retorno à velha ordem fosse recebida com respostas duras e acessos de raiva.

Holschlag, mãe solteira e médica de combate, também havia mudado profundamente. A violência em Ramadi havia reivindicado sua paciência, sua ternura e sua resiliência. Ela perdia a calma com suas crianças, muitas vezes severamente.


Jaymie Holschlag brinca com os filhos no Texas / NYT

No mês passado, na véspera de sua segunda missão no Iraque, Holschlag decidiu que não conseguiria fazer seus filhos passarem por tudo isso de novo e pediu transferência. "Elas são meus filhos e merecem uma mãe que os queira abraçar", ela disse.

As Forças Armadas se adaptaram bem em grande parte ao fato de mulheres viverem, trabalharem e lutarem prosperamente ao lado dos homens no Iraque e Afeganistão. A maternidade, no entanto, representa um enorme desafio.

"O desafio das Forças Armadas é ajudar membros do serviço a sentir que não têm que optar entre a vida familiar e sua carreira militar", disse Shelley MacDermid Wadsworth, diretora do Instituto de Pesquisa Familiar Militar da Universidade de Purdue.

"Eles abandonam as forças quando não conseguem encontrar uma maneira de manter ambos", disse MacDermid Wadsworth.

Os pais temem principalmente as consequências que sua alocação longa terá sobre seus filhos. Até agora, quase 2 milhões de crianças viram um pai ir para guerra.


Mãe militar volta para casa após missão no Iraque / NYT

Pesquisas recentes indicam que a maioria das crianças, ainda que amplamente resistente, sofre com preocupação e ansiedade quando um pai é convocado e as Forças Militares tentam lidar com isso aumentando o número de serviços de aconselhamento psicológico.

Mas a experiência de Jaymie Holschlag em Ramadi a convenceu de que para sua família, o sacrifício era muito alto. Ela voltou em 2006 com distúrbios de stress pós-traumático.

Agora Holschlag está de volta em Iowa, recebendo aconselhamento mental e estudando enfermagem. As crianças estão felizes com os novos acontecimentos, ela disse. "Foi a escolha mais difícil da minha vida", disse Holschlag. 

"Minha filha continua correndo por aí dizendo: 'Você me ama tanto que desistiu do Iraque por mim'. Ela sabe o quanto eu amo meu trabalho. Ela também sabe que eu não vou deixá-los por nada".

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