Sobreviventes no Japão adotam antigas formas de comunicação

Redes de comunicação modernas estão entre as vítimas do terremoto que arrasou o país no dia 11 de março

The New York Times |

Para Ryo Orui, um estudante do ensino médio, quase tão assustador quanto o tremor de terra ou o som das sirenes de tsunami foi a perda do sinal de seu celular. Quando o grande terremoto atingiu o Japão, Orui disse, ele sentiu uma onda de pânico por não ser capaz de contatar imediatamente os entes queridos ou receber notícias sobre o que estava acontecendo.

Então, ele pulou em sua bicicleta e pedalou por essa cidade portuária devastada pelo tsunami, na costa norte do Japão, para verificar a segurança de seus familiares e colegas. "Eu me senti tão isolado", disse Orui, 17 anos. "Você não percebe o quanto depende de algo até que o perde".

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O voluntário Katsutoshi Maekawa newsletter diário no abrigo para sobreviventes em Miyako, no Japão
Entre as vítimas do terremoto de magnitude 9, que atingiu o país no dia 11 de março, estão as modernas redes de comunicação que se revelaram surpreendentemente vulneráveis. Milhões de pessoas no leste e norte do Japão, incluindo Tóquio, perderam alguns ou todos os serviço de celular. Um total de 1,3 milhões de linhas fixas e links de fibra óptica também foram perdidos.

Embora as interrupções sejam pequenas em comparação com a tragédia humana do terremoto e do tsunami – 27 mil pessoas estão mortas ou desaparecidas – a fragilidade da comunicação moderna emergiu como uma das lições preocupantes dessa catástrofe.

Confusão

Em uma nação apaixonada por tecnologia, onde muitas pessoas ficavam coladas nos seus celulares e estavam acostumadas a ter acesso quase instantâneo à internet e à informação, o corte dos sinais se mostrou algo confuso e assustador. Muitos governos locais nas áreas mais atingidas, desesperados para entrar em contato com os moradores com informações importantes de emergência, passaram a adotar táticas do passado, incluindo rádios, jornais e até mensageiros humanos.

"Quando os celulares saíram do ar, houve paralisia e pânico", disse Shoji Ogasawara, chefe de comunicações de emergência da prefeitura de Miyako, que foi tomada por lama após o tsunami. "Todo mundo se perguntava: 'O que aconteceu com a usina nuclear? O que aconteceu com nossa cidade?'"

Em todo o país, as pessoas voltaram-se para alternativas mais básicas em sua busca por notícias de seus entes queridos que vivem nas áreas afetadas pelo terremoto. Eles colocaram avisos em murais e gravaram apelos chorosos na televisão. Mesmo em Tóquio, normalmente uma vitrine da alta tecnologia, os moradores partiram para a improvisação.

Uma pequena loja perto na Estação Tóquio, especializada em produtos de Fukushima, o local onde fica a usina nuclear atingida, de repente se viu lotada por pessoas que vêm em busca de jornais da região, que são difíceis de encontrar em outros lugares em Tóquio. Cerca de 500 pessoas visitam a loja diariamente para verificar nos jornais a lista dos nomes das pessoas em abrigos de refugiados de Fukushima, afirmou o gerente da loja Yutaka Suzuki.

Embora o serviço de telefonia celular de Tóquio tenha sido restaurado, a região atingida permanece sem o serviço ou internet. Em Miyako, a cidade continua a liberar os nomes dos sobreviventes do desastre em uma lista colada nas paredes da Câmara Municipal.

*Por Martin Fackler

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