A menos de duas semanas, durante os últimos preparativos para a visita do Papa Bento 16 aos Estados Unidos, o bispo de Camden, Nova Jersey, anunciou planos em fechar ou unir metade das paróquias de sua diocese. Enquanto isso, católicos de Nova Orleans, Boston, Nova York, Ohio e outra dezena de dioceses lamentavam a perda das paróquias e escolas religiosas onde cresceram.

Então quando o papa chegar aos Estados Unidos nesta terça-feira, irá encontrar uma igreja americana na qual muitos dos católicos estão sedentos não apenas por direcionamento espiritual, mas também por seu reconhecimento de que a igreja passa atualmente por uma fase de dor e incerteza.

Centenas de paróquias estão sendo fechadas ou consolidadas por conta de outros problemas enfrentados pela igreja: a falta de padres, os escândalos sexuais, fundos insuficientes para manter os prédios envelhecidos, mudanças demográficas e, algumas vezes, a ausência de fiéis nas missas para justificar que a igreja fique aberta. Ainda assim para o católico observante a experiência primária  da fé é sua paróquia.

"É frustrante pois você começa a ver o bispo como um inimigo e isso te coloca em conflito", diz Leah Vassallo, advogada cuja paróquia em Malaga, Nova Jersey, está fadada a fechar."Obviamente você não quer abandonar sua fé ou mudar de religião, ou abandonar a igreja de vez. Mas isso tira seus direitos. Nós seremos muito mais cuidadosos ao dar dinheiro à igreja".

Essa será a primeira visita de um papa desde os escândalos sexuais que atingiram os católicos de todo o País emocionalmente, espiritualmente e financeiramente, em 2002. Uma das repercussões do escândalo é que os fiéis passaram a exigir maior prestação de contas financeiras de seus bispos e mais controle sobre as decisões, especialmente quando se trata de fechar uma paróquia.

O papa deve elogiar a vitalidade da igreja católica norte-americana durante sua visita e isso é motivo de celebração. Mas a maioria dos padres, e até alguns bispos, reconhecerão os pontos fracos.

O número de padres ordenados em 2007 caiu para 456, menos da metade dos novos clérigos em 1965.

"Há uma crise", disse William V. D'Antonio, associado do Instituto Life Cycle da Universidade Católica da América. "Estamos ficando sem padres. A média de idade dos padres atualmente ativos é 60 anos. O recrutamento de novos padres está muito abaixo da necessidade de substituição".

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