Site de voluntários cobre conflitos árabes e crise no Japão

Global Voices utiliza redes sociais e blogueiros para cobertura ampla de protestos na Tunísia a riscos decorrentes de terremoto

The New York Times |

Enquanto os protestos se espalharam pela Tunísia, organizações de notícias internacionais se esforçavam para cobrir os protestos antes de o presidente Zine El Abidine Ben Ali fugir do país no dia 14 de janeiro, encerrando 23 anos de regime autoritário. Amir Al-Husseini, no entanto, cobriu toda a história.

Al-Husseini supervisionou um punhado de blogueiros que reuniram informações sobre os protestos da Tunísia para o Global Voices, uma organização mantida por voluntários em uma plataforma que funciona com blogueiros de todo o mundo traduzindo, agregando links e criando conteúdo online.

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Tunisianos em campo para desabrigados em Ras Jdir, na Tunísia
Como parte do sua cobertura, ela disse, o site usou redes sociais como Facebook, YouTube e Twitter, onde outros blogueiros e centenas de pessoas comuns assumiram o papel de jornalistas-cidadãos e compartilharam suas experiências, fotos de celulares e vídeos.

Logo após o terremoto e o tsunami atingirem o Japão, os blogueiros voluntários do Global Voices no leste da Ásia prepararam uma cobertura especial sobre a devastação, compartilhando vídeos e traduzindo mensagens publicadas no Twitter, incluindo pedidos de ajuda de pessoas presas nos andares superiores dos edifícios do país.

Diante do temor de uma segunda explosão em uma usina nuclear, eles acompanharam a conversa nas redes sociais, relatando como as pessoas estavam trocando informações para manter sua segurança.

"Nosso trabalho é realizar a curadoria da conversa que está acontecendo em toda a internet com pessoas que realmente entendem o que está acontecendo", disse Rebecca MacKinnon, ex-chefe do Bureau de Tóquio da CNN, que fundou o Global Voices com Ethan Zuckerman, um tecnólogo e especialista na África, quando eram colegas no Centro Berkman para Internet e Sociedade de Harvard. "Nós amplificamos, contextualizamos e traduzimos essas conversas, além de mostrarmos por que elas são importantes".

Financiamento

A organização é operada de forma independente e não tem fins lucrativos – seu financiamento é adquirido principalmente com doações privadas e de fundações. Ela é liderada por Ivan Sigal, que estudou o papel da mídia cidadã em zonas de conflito no Instituto da Paz dos Estados Unidos, antes de assumir o site como diretor executivo em 2008.

Sem sede física, ele supervisiona uma equipe virtual de cerca de 20 editores e mais de 300 blogueiros e tradutores voluntários fora dos Estados Unidos.

Sigal afirmou que ter editores que trabalham com os blogueiros voluntários implementou técnicas jornalísticas tradicionais na operação, como a verificação de fatos e fontes. "Mas nos preocupamos mais com a conversa do que com a história final", disse.

Para manter o caráter independente, Sigal disse que a organização não aceita qualquer dinheiro do governo. "Queremos que ele seja percebido como um site neutro", disse.

*Por Jennifer Preston

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