Sistema de saúde do Bahrein é arrastado para conflitos

Com prisões de médicos e repressão a hospital de referência, objetivo é incutir medo de cuidar de dissidentes feridos

The New York Times |

Um grupo de soldados guarda o portão do Complexo Hospitalar Salmaniya, em Manama, Bahrein. Lá dentro, os consultórios estão praticamente vazios, muitos dos pacientes, segundo os médicos, foram arrastados para a prisão depois de participar de protestos.


Médicos e enfermeiros também foram presos e a polícia segue motoristas de ambulância, segundo trabalhadores do hospital.

O panorama do Salmaniya, o maior hospital público do Bahrein, é um sinal sombrio de que a saúde tem sido arrastada para o meio do conflito civil que assola o país, que foi atingido pela violência no mês passado quando as forças militares e de segurança limparam não apenas a Praça Pearl, mas também todo o complexo hospitalar, que havia se tornado um centro de atividades da oposição.

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Voluntários esperam para começar a trabalhar no Complexo Hospitalar Salmaniya
Pelo menos uma dúzia de médicos e enfermeiras foram presos e mantidos prisioneiros durante o mês passado, e mais paramédicos e condutores de ambulâncias estão desaparecidos.

As ambulâncias foram impedidas de ajudar pacientes feridos, de acordo com profissionais da saúde e ativistas dos direitos humanos.

Enquanto isso, as forças de segurança que bloqueiam ruas de todo o país, fiscalizam motoristas e passageiros em busca de ferimentos de estilhaços – as lesões mais comuns entre os manifestantes confrontados pelas forças de segurança – e aqueles com as contusões reveladoras são detidos.

"O que temos visto é um ataque ao sistema de saúde e às pessoas que trabalham nele", disse Dan Williams, pesquisador sênior do grupo nova-iorquino Human Rights Watch, que está alocado no Bahrein. "Os hospitais devem ser usados para os cuidados médicos e não como centros de detenção arbitrária”.

Os médicos do Bahrein e defensores dos direitos humanos dizem que o objetivo da repressão parece ser o de incutir o terror nos médicos, para que não cuidem de manifestantes feridos e medo nos dissidentes, que poderiam pensar duas vezes antes de enfrentar a polícia caso acreditem que possam se ferir e com isso ir parar na prisão.

A repressão é centralizada em Salmaniya, principal hospital de referência do país. Mas os médicos em clínicas de bairro dizem que os pacientes têm medo de ir até eles também.

O ministro da Saúde em exercício Fatima Al-Balooshi acusou dezenas de médicos e profissionais da saúde do Salmaniya e de outros lugares de fazer parte de "uma conspiração contra o Bahrein arquitetada no exterior" – geralmente um código que significa o Irã – para desestabilizar o governo.

A maioria dos médicos no Bahrein são xiitas, assim como a maioria da população, em um país governado por uma monarquia sunita, que agora governa com o apoio de mais de 1 mil soldados da Arábia Saudita. A oposição, embora não inteiramente, é predominantemente xiita.

*Por Clifford Krauss

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