Síria tenta controlar internet para atrapalhar manifestações da oposição

Agentes de segurança exigem que dissidentes entreguem senhas do Facebook e desligam rede 3G, limitando mobilização e divulgação dos protestos

The New York Times |

O governo sírio está reprimindo o uso que os manifestantes fazem de mídias sociais e da internet para promover sua rebelião três meses depois de permitir que os cidadãos tenham livre acesso ao Facebook e YouTube, de acordo com ativistas sírios e especialistas em privacidade digital.

Os agentes de segurança estão agindo em várias frentes – exigindo que os dissidentes entreguem suas senhas do Facebook e desligando a rede 3G do país, drasticamente limitando a capacidade dos dissidentes de fazer o upload de vídeos dos protestos no YouTube, de acordo com vários ativistas no país.

AFP
Imagem retirada do YouTube mostra opositor ao governo rasgando pôster de ex-presidente sírio Hafez al-Assad, pai do atual líder Bashar al-Assad, em Homs, na Síria (25/3)
E partidários do presidente Bashar al-Assad, chamando a si mesmos de o Exército Eletrônico da Síria, estão usando as mesmas ferramentas para tentar desacreditar os dissidentes.

Em contraste com o governo do ex-presidente Hosni Mubarak, no Egito, o governo sírio está adotando uma abordagem mais estratégica, desligando a eletricidade e o serviço telefônico em bairros de maior agitação, afirmam os ativistas.

Com os jornalistas estrangeiros impedidos de entrar no país, os dissidentes têm trabalhado em conjunto com exilados e usado sites como Facebook, YouTube e Twitter para chamar a atenção global à brutal repressão militar aos manifestantes, que já matou mais de 700 pessoas e levou a prisões em massa nas últimas nove semanas.

"A única maneira de obter informações é através do jornalismo cidadão", disse Ammar Abudlhamid, um ativista sírio baseado em Maryland, que foi um dos vários exilados da Síria que ajudaram a levar telefones por satélite, câmeras e computadores portáteis ao país no início do ano. "Sem eles, nós não saberíamos de nada".

Para ajudar a combater o sucesso dos protestos, os partidários do governo na Síria criaram páginas no Facebook, Twitter e YouTube para divulgar as mensagens pró-regime na Síria e em todo o mundo, incluindo em páginas geridas pela Casa Branca e pela Oprah.

O Exército Eletrônico da Síria também está trabalhando para interromper os esforços dos dissidentes. Sua página no Facebook, com 60 mil membros, foi fechada por detalhar instruções sobre como atacar os oponentes online, uma violação dos termos de serviço do Facebook.

Por enquanto, os ativistas na Síria dizem que não irão saber se usar o Facebook os ajudou até que a revolta chegue ao fim. "Usá-lo para o ativismo é uma jogada arriscada", disse Peter Eckersley, um técnico da Fundação Fronteira Eletrônica, grupo de privacidade digital que está investigando relatos de um esforço anônimo para hackear contas do Facebook de pessoas na Síria.


"Pode ser eficaz se o regime contra o qual você está em campanha não for suficientemente cruel ou poderoso. Se você vencer rapidamente, o Facebook é a ferramenta certa para usar. Se não, torna-se muito mais perigoso”.

* Por Jennifer Preston

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