Silêncio marca aniversário de tumultos na Praça da Paz Celestial

BEIJING - A China cobriu a Praça da Paz Celestial com policiais na quinta-feira, determinada a evitar qualquer comemoração do 20º aniversário da repressão militar a um protesto pró-democracia que deixou centenas de mortos. Os visitantes da enorme praça do centro de Pequim eram parados e revistados, e equipes de televisão internacionais e fotógrafos foram firmemente impedidos de chegar ao local. Oficiais uniformizados e à paisana, facilmente identificáveis pela similaridade de suas camisetas, pareciam em maior número do que os turistas.

The New York Times |


A cena era diferente em Hong Kong, onde uma multidão se reuniu na noite de quinta-feira em uma enorme vigília em um parque local para marcar o 20º aniversário dos protestos na Praça da Paz Celestial. A polícia estima que a multidão reuniu cerca de 62,800 pessoas, a maior estimativa com exceção a 1990, que reuniu cerca de 80,000.

Hong Kong, devolvida pela Grã-Bretanha ao controle chinês em 1997, ainda é semi-autônoma e é o único lugar na China no qual grandes reuniões públicas são permitidas para marcar aniversários do protesto e das mortes que aconteceram em 1989.

O governo da China tentou durante anos apagar a memória do enorme protesto liderado por estudantes que abalou o Partido Comunista e cativou o mundo durante semanas.

Um oficial reagiu com irritação na quinta-feira a um pedido da secretária de Estado Hillary Rodham Clinton por prestações de contas pelo incidente.

"A ação americana faz acusações infundadas contra o governo chinês", disse um porta-voz do Ministro do Exterior, Qin Gang. "Nós estamos muito insatisfeitos com isso".

"O partido e o governo já chegaram à uma conclusão sobre esta questão", ele disse. "A história mostra que o partido e o governo colocaram a China no correto caminho socialista que serve aos interesse do povo chinês".

Não houve menção da importância do dia nos jornais chineses de quinta-feira. O China Daily, estatal de maior circulação, teve como capa o crescimento dos empregos que dá sinais de recuperação econômica da China.

O acesso à serviços online populares, como o Twitter, foi bloqueado, bem como aos fóruns universitários. As páginas principais de sites de microblogs e compartilhamento de vídeos alertavam os usuários que estariam fora do ar até sábado para "manutenção técnica".

Um notificado governamental sobre a necessidade de se buscar possíveis encrenqueiros chegou à internet por engano, permanecendo apenas o suficiente para ser reportado pela agência France-Presse. "Os chefes das vilas devem visitar pessoas de interesse e colocá-las sob supervisão e controle", diz a ordem à cidade de Guishan, a cerca de 870 milhas de Pequim.



Leia mais sobre Pequim

    Leia tudo sobre: pequim

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG