Sigilo bancário suíço muda para o Oriente

Santuário europeu onde ricos escondiam fortunas perde posto para lugares como Cingapura e Hong Kong

The New York Times |

Durante séculos, a Suíça foi o santuário de pessoas ricas que procuram esconder as suas fortunas e sonegar impostos em seus países. Agora, em meio a uma crescente repressão aos bancos privados suíços, os ricos estão levando seu dinheiro para Cingapura e Hong Kong, países que passaram a oferecer algumas das contas mais secretas do mundo.

Mas há um truque escondido nesta mudança para o Oriente: muitos dos bancos nesses oásis de baixos impostos têm pedigree suíço. Além disso, seus clientes não são apenas o número cada vez maior de milionários da Ásia, mas também americanos e europeus ricos, que, segundo advogados, estão assustados com as análises constantes das autoridades fiscais em seus próprios países.

Do UBS, que opera um centro de treinamento em Cingapura, a pequenas instituições privadas como o Julius Baer, os bancos suíços e aqueles com operações com sede na Suíça estão trabalhando para expandir sua ação na região.

"Temos visto um aumento massivo na contratação de centenas de banqueiros privados" em Cingapura e Hong Kong "para conquistar as contas que têm deixado a Suíça", disse Raymond W. Baker, diretor do Global Financial Integrity, um instituto de pesquisa de Washington.

Perda de francos

O UBS, maior banco da Suíça, perdeu cerca de 200 bilhões de francos suíços, ou aproximadamente US$ 200 bilhões, em ativos de clientes de contas privativas privadasnos últimos dois anos. Mas, na Ásia, ganhou mais dinheiro do que perdeu, de acordo com uma apresentação feita em agosto a investidores pelo chefe-executivo de gestão de fortunas, Juerg Zeltner.

O banco não forneceu números reais, mas disse que está planejando contratar mais 400 "assessores de clientes", ou banqueiros privados, para a região da Ásia-Pacífico, além dos 867 em ação no momento.

Ronen Palan, professor de economia política e especialista em finanças na Universidade de Birmingham, Inglaterra, disse que "todas as evidências sugerem que Cingapura está fazendo um esforço para substituir a Suíça como o centro global de contas privadas".

A mudança ocorreu em meio a uma crise que atingiu a indústria dos bancos suíços, líder mundial nessa área há muito tempo. Em 2007, o Departamento de Justiça iniciou uma investigação criminal sobre o UBS e, posteriormente, outros bancos suíços a respeito da venda de serviços a americanos ricos que lhes permitiu fugir dos impostos.

No ano passado, o UBS pagou US$ 780 milhões em um acordo para resolver o caso. Mais tarde, o banco concordou em encerrar o sigilo bancário e revelar os nomes de 4.450 clientes dos Estados Unidos para o Internal Revenue Service (espécie de Receita Federal) americano.

*Por Lynnley Browning

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