Senadoras podem ter melhor ou pior ano nas eleições de 2012

Número de mulheres concorrendo é expressivo, mas se democratas não forem bem, elas podem perder terreno pela 1ª vez em uma geração

The New York Times |

As eleições de 2012 nos Estados Unidos devem marcar o “ano da mulher” no Senado americano. Para o melhor ou o pior. Dez mulheres – seis delas titulares – devem se candidatar ao Senado pelo Partido Democrata esse ano, e uma outra está considerando seriamente uma disputa. Os republicanos têm uma senadora, Olympia J. Snowe, do Maine, que irá concorrer à reeleição e uma possível candidata ao governo, Linda Lingle, do Havaí. Outras mulheres em ambos os partidos estão envolvidas em disputas primárias.

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Senadora Olympia Snowe, que tentará reeleição, caminha por túnel sob o gabinete do Senado no Capitólio, em Washington

Esse é o maior número de titulares do sexo feminino a buscar a reeleição no Senado e possivelmente o maior número de candidatos nessa situação em uma eleição americana, o que pode levar a um ano excepcional para as mulheres no deliberativo – e cheio de testosterona – órgão legislativo.

Mas com os democratas em perigo e republicanos em atraso no recrutamento de mulheres – uma delas, Kay Bailey Hutchison, do Texas, que está se aposentando – também é bem possível que em 2012 as mulheres possam perder terreno no Senado pela primeira vez em uma geração.

"Se for um ano ruim para os democratas, pode ser um ano ruim para as mulheres no Senado", disse Debbie Walsh, diretora do Centro para Política e a Mulher Americana da Universidade Rutgers, observando que a maioria das mulheres eleitas em todo o país era democrata. "Ainda é cedo. Agora os números estão alinhados de tal forma que o resultado pode sair para os dois lados”.

Embora as mulheres tenham conquistado avanços em muitas áreas da vida política, o Congresso continua dominado pelos homens. Do alto, o Senado e a Câmara muitas vezes parecem ser um mar de gravatas vermelhas e azuis, com a ocasional saia entre elas. Até poucos meses atrás, não havia sequer um banheiro feminino perto do plenário da Câmara.

O Senado tem sido uma montanha eleitoral especialmente difícil para mulheres conquistarem. Em 1922, Rebecca L. Felton, da Geórgia, serviu por apenas 24 horas para substituir um parlamentar que havia morrido, e daí em diante, havia apenas uma ou duas mulheres eleitas – às vezes nenhuma – até 1993. Foram necessárias as duas últimas décadas para que esse número chegasse aos atuais 17.

Se todas ou a maioria das mulheres em mandato conquistarem a reeleição em 2012, e algumas novas candidatas conquistarem novos assentos, as mulheres podem ter uma presença recorde no Senado. Mas a perda de apenas uma cadeira as faria ter o menor terreno desde 1978, quando o número de mulheres no Senado foi de 2 para 1.

Isso daria continuidade a uma situação que teve início no ano passado, quando o número de mulheres na Câmara caiu, indo de 73 para 72. (A eleição especial em Nova York, em maio, elevou o número de volta para 73.) As legislaturas estaduais sentiram o aperto em 2010, quando 81 mulheres ficaram sem seus lugares, a maior perda nacional.

As mulheres que atuam no Senado não querem ver seus números diminuírem. "Eu acho que é muito importante a presença de mulheres nos órgãos legislativos", disse Hutchison, que lembrou quando atuava em meio a um punhado de parlamentares do sexo feminino na Assembleia Legislativa do Texas na década de 1970 e que ajudou a implementar a legislação criada para atender vítimas de estupro. "Não é que os homens fossem contra a nossa legislação", disse. "Eles simplesmente nunca pensaram no assunto."

Mulheres em ambos os partidos são frequentemente candidatas mais relutantes, disseram várias senadoras e seus conselheiros. "Os homens que têm alguma experiência apostam na política sem pensar duas vezes", disse Barbara Lee, presidente da Fundação da Família Barbara Lee, que trabalha para envolver as mulheres na política. "As mulheres precisam ser recrutadas e convidadas várias vezes, por várias pessoas, a fim de considerar a possibilidade."

Ao contrário dos homens, que tendem a ser atraídos para um cargo público por causa de seu interesse na política, as mulheres muitas vezes concorrem, porque seu interesse é incentivado por uma questão, muitas vezes, bastante local.

Essa dinâmica é tema de um programa famoso da emissora ABC, o Modern Family, em que uma personagem principal, Claire Dunphy, uma dona de casa, está concorrendo à Câmara Municipal contra o titular do sexo masculino que se recusou a colocar uma nova placa de Pare em seu bairro.

Isso não é muito diferente do que inflamou as paixões políticas da senadora Patty Murray, democrata de Washington, que concorreu pela primeira vez ao conselho escolar local quando um político do Estado zombou de sua tentativa de salvar um programa pré-escolar que seus filhos usavam.

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Senadora Kirsten Gillibrand, que tentará reeleição, conversa com equipe no Capitólio, em Washington

Murray, que foi eleita para o Senado em 1992, agora está concentrada no recrutamento de mulheres para atuar como presidente do Comitê de Campanha Senatorial Democrata.

Ela já ajudou a convencer a representante Tammy Baldwin, que foi a primeira mulher membro da Câmara de Wisconsin, a concorrer. "Obviamente, quando fui eleita em 1992 não havia muitos casos de sucesso para contar", disse Murray. "Mas havia uma necessidade coletiva no momento de uma melhor cultura no Senado."

Por exemplo, ela disse que as mulheres aprenderam a se sentir confortáveis em adiar uma reunião por que aquele é o horário em que precisam estar em um encontro de pais e professores.

A senadora Kirsten Gillibrand, democrata de Nova York, que foi indicada para preencher a vaga de Hillary Clinton e irá concorrer à reeleição no próximo ano, disse que as mulheres muitas vezes negociam melhor com a oposição.

As senadoras realizam um jantar bipartidário trimestral e Gillibrand disse que recentemente se viu sentada ao lado da senadora Susan Collins, republicana de Maine, durante a luta fiscal que tomou conta do Congresso. "Ela pegou meu braço e disse: ‘Kirsten, se você e eu estivéssemos negociando o orçamento teríamos terminado há uma semana", disse Gillibrand.

Por Jennifer Steinhauer

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