Sementes resistentes à seca podem chegar aos campos em poucos anos

GRAND ISLAND, Nebrasca - Para satisfazer a crescente demanda por comida em todo o mundo, os cientistas tentam por em prática um truque genético que a própria natureza teve dificuldade em realizar após milhões de anos de evolução. Eles querem criar variedades de milho, trigo e outros vegetais que não precisarão de muita água.

The New York Times |

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Conforme a população mundial aumenta e o aquecimento global altera os padrões climáticos, a falta de água deve impedir o cultivo de alimentos. As pessoas bebem apenas um litro ou dois de água diariamente, mas a comida que ingerem num dia típico, como vegetais e carnes, precisa de 2 mil a 3 mil litros para ser produzida.

Companhias que conseguirem "mais colheitas por litro" poderão obter recompensas enormes e os cientistas de muitas delas pesquisam os códigos genéticos das plantas em busca de uma fórmula para isso.

A Monsanto, maior companhia de biotecnologia agrícola, afirma que seu primeiro milho tolerante à seca será disponibilizada aos fazendeiros em quatro anos e oferecerá 10% de aumento a colheitas de Estados como Nebrasca e Kansas, que tendem a ter menor quantidade de chuva.

Os resultados até então parecem menos miraculosos, mas fazendeiros de Nebrasca e Kansas que estiveram presentes numa exposição desta espécie de milho, muitos dos quais enfrentam secas e altos custos para a irrigação de lavouras, afirmaram que a melhoria será bem-vinda.

"Nós irrigamos as lavouras o tempo todo e isso não irá durar para sempre", disse Tom Schuele, fazendeiro de Cedar Rapids, Nebrasca.

As concorrentes da Monsanto, como a unidade Pioneer Hi-Bred da DuPont e a Syngenta, dizem que também planejam apresentar colheitas mais eficientes em poucos anos. As companhias trabalham em plantas que possam aguentar mais calor, frio, solos salgados e outros ambientes difíceis. Ainda não se sabe quanto se pode lucrar com o uso destas novas colheitas.

Um relatório de 2007 do Instituto Internacional de Gerenciamento de Água concluiu que melhorias genéticas terão um impacto apenas "moderado"  ao longo dos próximos 15 ou 20 anos em tornar as colheitas mais eficientes no seu uso de águas. "Ganhos maiores, mais simples e menos onerosos" podem vir de um melhor gerenciamento dos suprimentos de água, afirmou.

Mas muitos especialistas dizem que a situação é grave o suficiente para que todas medidas sejam testadas simultaneamente. Nenhuma medida única será suficiente para todos os tipos de condições climáticas que iremos enfrentar.

"Provavelmente ninguém ainda achou o gene mágico", disse Jian-Kang Zhu, professor de biologia a Universidade da Califórnia.
"Provavelmente, não existe um gene mágico".

Por ANDREW POLLACK

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