Seleções se preparam para altitude da África do Sul

Equipes têm táticas diferentes para se adaptar ao local onde ocorrerá a Copa do Mundo

The New York Times |

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Em Johanesburgo, homem vende bandeiras de países que participarão da Copa
As 32 seleções que vão participar da Copa do Mundo entre os dias 11 de junho a 11 de julho terão de enfrentar decisões técnicas a respeito da altitude bem como do futebol.

Jogos em sete dos dez estádios da África do Sul acontecerão em altitudes de 660 metros, na região agrícola de Nelspruit, a 3 mil metros, em Johanesburgo. As abordagens para a aclimatação parecem tão amplas quanto os estilos de jogo.

Os Estados Unidos começarão a treinar na Universidade de Princeton nesta segunda-feira, a uma altitude de 30 metros. A Inglaterra treinará na Áustria a uma altitude de cerca de 732 metros e a Itália se reunirá em breve na estância de esqui de Sestriere a quase 1.900 metros.

Algumas equipes, como a Coreia do Sul e o Japão, consideram o uso de tendas e máscaras que simulam condições de altitude. Outras, como Austrália, Argentina e Brasil, parecem preferir o ajuste natural optando por chegar à África do Sul cerca de três semanas antes do campeonato.

Pouca pesquisa foi feita sobre o treinamento de times de futebol para jogos em altitude - seus efeitos podem variar entre indivíduos.

Jiri Dvorak, médico oficial da Fifa, organização que rege o jogo, afirmou em fevereiro que a altitude "não é uma questão que impacta de modo significativo o desempenho dos jogadores ou sua saúde".

Ainda assim, as equipes claramente acreditam que será um fator importante. Até mesmo o jogo de videogame autorizado da Fifa leva a altitude em consideração.

A preparação é uma ciência inexata, explicam os peritos.

"Se procurarmos por especialistas em altitude com experiência em jogadores de futebol encontraremos menos de um punhado", disse Michael Davison, diretor do Centro de Altitude Londres, que está aconselhando a Inglaterra e várias outras seleções. "Quando os times pedem conselhos, a Fifa diz que a altitude não é um problema. Mas eles não deveriam permitir que dois ou três grupos jogassem em altitude e outros não. Este fator que deveria ser considerado decisivo".

A maioria das equipes não jogará nas melhores condições, explicam os especialistas. Ao invés disso, elas tentarão chegar a um equilíbrio entre capacidade e treinamento, trabalho em equipe e amistosos para a adaptação à fina atmosfera dos estádios da África do Sul.

Em uma partida de futebol, os jogadores chegam a correr entre entre oito e dez quilômetros. Os efeitos da altitude podem levar a uma frequência cardíaca mais rápida, menos oxigênio no sangue e potência reduzida.

Chegar na África do Sul mais cedo deve permitir que um jogador atue de maneira mais eficiente conforme seu corpo comece a produzir mais células vermelhas e altere sua capacidade respiratória, explicou Randy Wilber, fisioterapeuta e especialista em altitude.

O inverno e a baixa umidade do Hemisfério Sul também podem afetar o desempenho na África do Sul. Algumas seleções pretendem colocar seus jogadores em salas umidificadoras e vaciná-los contra a gripe.

Mas as coisas poderiam ser piores. Pelo menos a Copa do Mundo não será na Bolívia, um local infernal para jogos de futebol a uma altitude de 1.900 metros. "Pelo menos não é La Paz", disse Bob Bradley, técnico da seleção americana.

Por Jere Longman

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