Séculos mais tarde, morte de Mozart ainda é mistério

Apesar de tantas incertezas, pesquisadores têm postulado pelo menos 118 causas para a morte do músico alemão

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Evidência médica direta? Nenhuma. Autópsia? Não foi realizada. Registros médicos? Longe de serem encontrados. Corpo? Desaparecido.

Apesar de tantas incertezas, pesquisadores têm postulado pelo menos 118 causas para a morte de Wolfgang Amadeus Mozart, de acordo com um artigo publicado recentemente em uma revista acadêmica. Em consequência, uma indústria de especulação médica cresceu em torno do assunto - prova da fascinação humana por aquilo que derruba os grandes criadores da história.

No caso de Mozart, a especulação começou um mês após sua morte, em 1791, e musicólogos, médicos e acadêmicos têm regularmente entrado para o debate desde então. E o doutor William J. Dawson, um cirurgião ortopédico aposentado que é o bibliógrafo da Associação Médica de Artes Performáticas, decidiu organizar as teorias. Ele examinou a maioria das 136 propostas inscritas no banco de dados da associação sobre a morte de Mozart, uma lista que não chega a ser completa.

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William J. Dawson, cirurgião ortopédico e bibliógrafo, decidiu organizar as teorias sobre a morte de Mozart
“Revisando as publicações sobre esse tema nós percebemos que muitas delas são confusas, complicadas, conjecturais e contenciosas”, Dawson, professor emérito da Faculdade de Medicina da Universidade Northwestern, escreveu na última edição da revista da associação Problemas Médicos de Artistas Performáticos.

Controvérsia

Sua conclusão não é surpreendente: a controvérsia deve continuar. Com a falta de evidências diretas, os pesquisadores tiveram de confiar principalmente nos relatos da viúva de Mozart, Constanze Mozart, e de sua irmã, Sophie Haibel, contados apenas décadas mais tarde. Mesmo essas provas indiretas se baseiam em textos cheios de alterações médicas, por vezes mal traduzidos, a partir dos testemunhos originais.

Dawson não é o primeiro a pesquisar as teorias sobre a morte de Mozart. Um grande estudioso da área é L.R. Karhausen, médico na França que em 1998 compilou 118 causas de morte citadas por Dawson em seu artigo. Mas as causas  da morte são divididas por Dawson em cinco grupos: envenenamento, infecção, doença cardiovascular, doença renal e diversas.

“Se eu tivesse de apostar dois centavos em alguma dessas opção, provavelmente seria a falha renal”, disse Dawson. “Era o diagnóstico mais comum. Pessoas que sabem mais sobre essas coisas do que eu consideram essa como a provável causa”.

No início do ano ainda um pesquisador na Escola de Medicina Mount Sinai, em Nova York, depois de fazer testes no que acredita ser fragmentos do crânio de Beethoven, questionou a teoria de que ele teria morrido por envenenamento de chumbo.

Interesse

Apesar disso, tudo suscita uma pergunta: por que o assunto desperta interesse tão intenso?

Parte da razão pode estar na estreita relação entre a música e a medicina. Uma elevada proporção de médicos parece tocar instrumentos – como Dawson, que é um fagotista de talento.

A ideia de que indivíduos notáveis, que deram à vida tanta beleza, podem ser derrubados por simples doenças físicas, particularmente doenças que hoje são facilmente tratáveis, é intrinsecamente fascinante. Essa percepção, talvez, faça com que pessoas geniais se pareçam mais conosco.

*Por Daniel J. Wakin

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